Grandes construções ignoram deficientes
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de junho de 1997
Da Redação 
Apenas os responsáveis por duas grandes obras na Cidade, de acordo com Élder Sene, tiveram o cuidado de consultar a Associação dos Deficientes Físicos de Londrina (Adefil) para adequar seus projetos: Terminal Rodoviário e Catuaí Shopping Center. Mesmo assim, a Rodoviária, por exemplo, segundo Élder, apresenta rampas perigosas - estreitas e íngremes demais.
A inclinação ideal de uma rampa é de cerca de 4,5 graus, de acordo com Élder. A rampa deve ter ainda piso antiderrapante. Elas têm ser suavemente inclinadas para não exigir muita força dos braços.
Ele estima que aproximadamente 10% das rampas construídas na Cidade seguem orientações da Adefil, que se baseia nas determinações da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). O resto é feito de qualquer jeito, só para que as pessoas vejam. Mas não servem para gente, critica. Espero que os novos shoppings que estão sendo construídos pensem nos deficientes.
Dos 600 associados da Adefil, segundo Élder, 10% usam cadeira de rodas. O número, de acordo com ele, está longe de refletir a realidade de toda a Cidade. Élder ressalta que a adequação física da Cidade beneficiaria uma população ainda maior. Entre os beneficiados, Élder cita os usuários temporários de cadeira de rodas - aqueles que por um motivo ou outro de saúde estão impedidos de andar - e pessoas com carrinhos de bebês. Élder acredita ainda que os idosos e gestantes também preferem as rampas.
Fala-se tanto em direitos do cidadão e o direito básico garantido pela Constituição, que é o de ir e vir, não existe para o deficiente. Nossa cidadania só existe na hora de votar, lamenta o presidente da Adefil. Nós também pagamos impostos. E eu pagaria com prazer se visse esse direito garantido.
(Edmara Michetti)


