Rubens Burigo Neto
Especial para a Folha
O uso de grandes adesivos nos vidros e na lataria dos carros é a nova mania entre os motoristas de Curitiba. Os decalques do time do coração, do curso universitário ou com motivos religiosos estão sendo substituídos pelos apliques com nomes dos grupos de jovens do ‘‘movimento country’’ ou de personagens de desenhos animados. Piu-Piu & Frajola, Taz e Garfield são os preferidos daqueles que preferem deixar o carro com uma decoração mais alegre. ‘‘Os Tomba Copo’’, ‘‘Os Curva de Rio’’ e ‘‘Os Bar Tira’’, mesmo com os graves erros gramaticais, estampam os pára-brisas dos ‘‘peões urbanos’’.
O trabalhador autônomo Carlos Bueno faz parte da comitiva (como são denominadas as dezenas de grupos country) ‘‘Os Galiz钒, que tem 12 carros. Bueno justifica os erros de português como uma forma de aproximar a linguagem das cidades ao palavreado caipira. ‘‘Além disso é muito legal podermos divulgar a amizade que existe nas comitivas’’, afirmou. João Fonseca, assistente de recursos humanos, se rendeu aos pedidos da filha de 7 anos e, há um mês, aplicou um adesivo do Piu-Piu com aproximadamente 30cm na lateral do carro. ‘‘Ela escolheu o personagem e não tive como dizer não’’. Fonseca também afirma não se importar com as eventuais piadas de que pode ser alvo.
Mas há também aqueles que preferem expor sua intimidade. É o caso de Maria Hilda Lessing Ogliari, diretora de uma escola para crianças especiais. Casada há 23 anos, ela não titubeou antes de colar no vidro lateral do carro:‘‘Eu amo meu marido.’’ O adesivo tem quase 40 cm, é cercado por pequenos corações vermelhos e tem o ‘‘r’’ colado do lado contrário. ‘‘Deixei assim mesmo para valorizar o trabalho de quem o confecionou. Mas o que importa é a mensagem; que homenageia o casamento, a união entre os casais ’’, justifica. Maria Hilda prefere esta forma de manifestação do que os adesivos mais agressivos - como a do casal de seres extra-terrestres que simulam várias posições sexuais. ‘‘As pessoas precisam pensar mais antes de enfeitar os seus carros’’.
A psicóloga Lídia Weber, professora da Universidade Federal do Paraná e especialista em comportamento, explica que os adesivos, assim como roupas de marca, são usados para tentar demonstrar parte da personalidade. ‘‘As pessoas se identificam com os valores e a imagem que os grupos ou griffes tentam passar. Isto é considerado um estímulo descriminativo. Em determinadas fases da vida, a agregação em turmas é importante. E as pessoas gostam de mostrar que fazem parte desses movimentos sociais,’’, conclui.

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