Arquivo FolhaO Jockey Club recebe centenas de aficionados em dias importantes como hoje, com a principal prova do turfe paranaenseAs mulheres preparavam cuidadosamente seus tailleurs e chapéus. Os homens não deixavam por menos: por baixo do terno, tinham a camisa branca engomada e a indispensável gravata.
Todos impecáveis para o Grande Prêmio Paraná, o maior evento de turfe do Estado. Hoje, no Jockey Club, a cena vai se repetir.
O evento que nasceu em 1942 continua, apesar da mudança dos tempos. Hoje, pode ser visto pela TV e as apostas, feitas por telefone, mas está longe de ser a mesma coisa. Hoje, também não existe o glamour de décadas atrás. Com a oferta de outras atrações, o Grande Prêmio Paraná não é mais o grande acontecimento da cidade.
Primeiramente no Hipódromo do Guabirotuba, depois no Jockey Club, o Grande Prêmio costumava receber cerca de 10 mil pessoas. Autoridades e representantes da alta sociedade eram presença garantida. Todo Grande Prêmio era antecedido de um baile.
Álbum de famíliaNa época de ouro do Grande Prêmio, as mulheres caprichavam nos trajes e não dispensavam os acessóriosLourdes Leal Garcez, 68 anos, estava onde houvesse um Grande Prêmio - Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro ou Porto Alegre. Começou a participar em 1948 porque o marido, João Luiz Garcez, 73 anos, gostava e tinha criação de cavalos. ‘‘A gente participava com os amigos. Eram momentos alegres’’, diz. Segundo Lourdes, todos se preocupavam em estar bem vestidos. Nos bailes, as mulheres se apresentavam de vestido longo e os homens de smoking. No dia do Grande Prêmio, elas separavam o traje esporte fino e o chapéu para sair de casa.
Foi por causa dos chapéus, inclusive, que Elvira Laffitte Derviche, 83 anos, ficou bastante conhecida. Chegava a confeccionar dez por dia. Segundo ela, os mais procurados para o Grande Prêmio eram os de palha italiana, feltro e gorgurão. Haydee Maria de Araújo, 70 anos, também era bastante procurada por seus chapéus. ‘‘As mulheres tinham chapéus para todas as ocasiões, mas os do Grande Prêmio eram especiais’’, diz.
Haydee não só fazia os acessórios como também ia ao Grande Prêmio e às corridas de domingo. ‘‘Era uma diversão. Também ia para apreciar as mulheres e os homens bem vestidos.’’
As mulheres de chapéus não chamavam a atenção apenas pela elegância nos dias ensolarados de Grande Prêmio. O treinador Silvio Batista Piotto lembra do evento de 1955, na inauguração do Jockey Club. Um vendaval jogou longe os acessórios de praxe do evento. ‘‘Só dava mulher correndo atrás do seu chapéu’’, lembra.

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