A empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), que opera o sistema de transportes de passageiros no perímetro urbano de Londrina, protocolou ontem um pedido de reajuste na tarifa junto à Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), responsável pelo gerenciamento e fiscalização do setor na cidade. ‘‘Não estamos falando em número, apenas desejamos que a Comurb realize estudos para uma necessária revisão tarifária. Nossa defasagem é grande, e para conseguirmos repô-la a tarifa teria que ficar acima de R$ 1,00’’, afirma o supervisor-geral da TCGL, Paulo Sérgio Bongiovanni.
A tarifa, que está em vigor desde maio de 1997, é de R$ 0,75. Em maio deste ano, a empresa já havia reivindicado um reajuste de 32%, que elevaria a tarifa para R$ 0,99. Naquela época, o prefeito Antonio Belinati (sem partido) vetou o aumento alegando que, por causa da crise econômica, os usuários não suportariam pagar a tarifa pretendida.
De acordo com Bongiovanni, há estudos técnicos comprovando a defasagem e a necessidade do reajuste da tarifa. ‘‘E nestes últimos seis meses, dois novos fatos agravaram esta defasagem: o reajuste salarial de 4,5% concedido aos nossos funcionários; e o recente reajuste dos combustíveis, que para o nosso setor significará em torno de 9,5%’’, comenta o diretor da TCGL.
Ele explica que esta demora no reajuste da tarifa, somada à redução no número de usuários de ônibus, tem causado significativos prejuízos financeiros para a empresa. ‘‘Não conseguimos, por exemplo, fazer caixa para o pagamento do 13º salário aos nossos 1.150 funcionários. Teremos que recorrer a financiamento bancário para honrar este compromisso’’, ressalta Bongiovanni, lembrando que a TCGL deixou também de investir na aquisição de novos ônibus, prevista para o segundo semestre deste ano.
Segundo dados da empresa, que opera com 235 ônibus, o congelamento da tarifa por 18 meses não conseguiu deter a redução do número de usuários. Entre maio de 97 e maio deste ano, a queda havia sido de 11,5%, diminuindo de 4,1 milhões para 3,6 milhões o número de passageiros por mês. ‘‘Agora, nestes últimos seis meses, tivemos nova queda de aproximadamente 4%. Não dá mais para continuarmos perdendo nas duas pontas, com a tarifa abaixo do valor dos nossos custos e com a progressiva diminuição do número de usuários’’, comenta Bongiovanni.
O presidente da Comurb, Kakunen Kyosen, diz que recebeu com naturalidade a solicitação da TCGL e já encaminhou o pedido de um estudo profundo nas planilhas de custos do setor à Diretoria de Operações da companhia municipal. ‘‘Os estudos devem estar prontos dentro de 10 a 15 dias. Daí, se houver realmente a necessidade de reajuste na tarifa, vamos encaminhar os estudos ao prefeito. É ele quem decide sobre este assunto.’’
Kyosen não quer comentar a hipótese de a tarifa subir para cerca de R$ 1,00. ‘‘Não vamos falar em valores antes de os estudos serem feitos pela nossa equipe. A empresa fez o pedido, temos que analisar se os usuários têm condições de pagar a tarifa pretendida. Estamos aqui para encontrar um meio termo bom para os dois lados’’, afirma. Ele deixa antever, no entanto, que com estes recentes reajustes dos preços dos combustíveis há mesmo a possibilidade de uma adequação na tarifa do transporte coletivo urbano de Londrina.

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