Grande Londrina faz acordo e aceita sair da zona sul
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terça-feira, 11 de março de 1997
Edmara Michetti 
Depois de mais de um mês de reuniões, decisões e recuos, a empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) resolveu entrar num acordo com a Companhia Municipal de Urbanização (Comurb). Com isso, a partir de amanhã, as linhas de ônibus da zona sul passam a ser operadas exclusivamente pela Francovig. Os ônibus da TCGL continuam atendendo os outros 85% das linhas da Cidade, conforme estipula o decreto baixado pelo prefeito Antonio Belinati no dia 24 de janeiro. Amanhã também a Comurb passa a administrar o Terminal Acapulco e assume as catracas do Terminal Central.
Representada pelos diretores Manoel Lopes e José Lopes, a TCGL se comprometeu ainda a assinar o termo de contrato do decreto amanhã. A Francovig assinou termo de contrato semelhante, assumindo as 10 linhas urbanas da zona sul, ainda em janeiro. As decisões entre as empresas e a Comurb foram tomadas ontem à tarde durante uma reunião entre representantes da TCGL, Francovig e Comurb.
De acordo com o presidente da Comurb, Cléber Tóffoli, o termo de contrato só não foi assinado ontem mesmo pela TCGL porque há necessidade de mudança no termo de permissão. Na reunião de ontem, as duas empresas decidiram que, por motivos operacionais, a linha 601 - Rápido, vai continuar sendo operada em parceria por elas. A 601 é uma das 10 linhas da zona sul enumeradas no decreto do prefeito. O diretor da Francovig, Francisco Henrique Francovig, afirma que a empresa abriu mão de parte da linha 601 para colocar o transporte em situação normal e de estabilidade.
As medidas da Comurb estão baseadas na decisão do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, que suspendeu a liminar contra o decreto do prefeito relativo à operação de linhas de ônibus da zona sul. A liminar contra o decreto do prefeito foi concedida, a pedido da TCGL, pelo juiz da 1ª Vara Cível, Manoel Sebastião da Silveira Filho, em 4 de fevereiro.
A Prefeitura recorreu ao TJ e manteve a Francovig na zona sul, apoiada numa decisão do juiz da 5ª Vara Cível, Fernando Antonio Prazeres, que negou liminar a um grupo de funcionários da TCGL que pedia a suspensão do decreto.
O pedido para que a liminar da 1ª Vara Cível fosse derrubada foi acatado pelo presidente do TJ, desembargador Henrique Chesneau Lenz César. Apesar da suspensão da liminar, o desembargador também decidiu que a ação de atentado movida pela TCGL continuará tramitando.
O prazo para a Comurb assumir os terminais amanhã foi sugerido pela TGCL. A empresa alegou, segundo Tóffoli, a necessidade de tempo para readequar a tabela de horário dos funcionários. Com o Terminal Acapulco sob o comando da Comurb, os cinco funcionários da TCGL que trabalham no local serão substituídos por fiscais da companhia. Outros 17 funcionários da Comurb passarão a cuidar, em turnos variados, das catracas do Terminal Central. Esse é o começo da operacionalização do transporte urbano pelo Município. Teremos duas empresas operando e precisamos dividir o bolo. Estamos estudando qual a melhor forma de se fazer isso, disse Tóffoli. A administração do Terminal Central e dos outros terminais de bairro da Cidade, bem como a emissão de passes, devem ser assumidos gradativamente pela Comurb. Tóffoli prefere não determinar prazos para que todo o sistema esteja sob o controle do Município.
Francisco Henrique Francovig espera que os irmãos Lopes realmente cumpram o que ficou acertado na reunião de ontem. Segundo ele, a TCGL se comprometeu também em não entrar com nova medida judicial contra o decreto. Sobre o acordo em si, Francovig respondeu que avanço seria a TCGL ter cumprido o decreto logo no início. O acordo vai evitar o uso de força policial, disse. Já que esperamos tanto, um dia a mais não vai fazer diferença.
Os diretores da TCGL não quiseram opinar sobre o que significa o acordo para a empresa. Manoel Lopes se limitou a admitir os compromissos assumidos na reunião com a Comurb e a Francovig. O prefeito Antonio Belinati afirma que o acordo não significa um passo à frente na abertura do processo licitatório do 100% das linhas urbanas do transporte. A licitação está nas mãos da Justiça, independe desse acordo.


