Grande gesto que salva vidas
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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Vinícius Fonseca <br> Reportagem Local 
A dor de perder um ente querido pode ganhar contornos de conforto por meio de uma simples atitude: a doação de orgãos. É o que defende o casal Pedro Ribeiro e Devanir Oliveira de Souza, pais de Paulo Sérgio de Souza, 33 anos, morto em decorrência de um acidente de trânsito, na semana passada.
Paulo era o terceiro de oito filhos, estava casado e trabalhava como carpinteiro. Seu pai conta que todo final de tarde, saía da empresa e fazia uma visita à família antes de voltar para casa, no Jardim Monte Belo (Zona Sul).
Pedro conta que, depois da visita do filho, sempre ligava para saber se a volta para casa ocorreu em segurança. ''Na quinta à noite chovia muito por aqui. Quando liguei, minha nora disse que ele não havia chegado, então peguei uma bicicleta e fui atrás. De repente vi muita gente concentrada e percebi o acidente'', relembra. O rapaz bateu a moto que dirigia em um caminhonete, na semana passada.
Paulo foi levado para a Santa Casa, mas não resistiu aos ferimentos, falecendo na sexta-feira passada. ''Ele era um menino muito bom e nos falou que, assim que morresse, poderíamos doar seus orgãos. Então fizemos a vontade dele'', diz a mãe. Córnea e coração puderam ser doados.
Uma pessoa de origem humilde, muito ligada à família. ''A segunda-feira foi complicada, porque ficamos esperando ele chegar e isso não aconteceu. A dor alivia porque sabemos que ele ajudou outras pessoas'', conclui Devanir.
Em janeiro, mais de 3,3 mil pessoas estavam inscritas na Central Estadual de Transplante do Paraná (CET-PR) na espera por um transplante. No mesmo mês foram feitos 97 procedimentos, 79 de córnea, 12 de rim, três figado, dois de rim e pâncreas, e um de coração.
A coordenadora das Políticas Estaduais de Transplante, Arlene Badoch, explica que o número de doações tende a aumentar com as campanhas. Geralmente os doadores têm entre 20 e 30 anos. ''São jovens, vítimas de trauma, quase sempre envolvendo acidentes com motocicletas.''
Arlene afirma que a resistência das famílias ocorre por falta de informação e confiança no trabalho realizado pelos hospitais. Otimista, ela acredita que este cenário deve sofrer alterações. ''A doação de orgãos no país tem apenas 15 anos, é um processo muito novo e acredito que com o tempo isso deve mudar'', argumenta.
Serviço:
Em Londrina, o fone da CET é o (43)-3379-6078. Em Curitiba, o número é (41) 3232-5740.


