Grande demanda, pequena oferta
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quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Para o arquiteto Clóvis Ultramari, do programa de Pós-gradução em Gestão Urbana da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), a conta é simples: a demanda é alta e a oferta é pequena. ''Podemos dizer que há três fatores que influenciam isso: a questão econômica, o tamanho das famílias - que vem diminuindo - e a localização'', explica. Para a classe média, a necessidade de ficar em regiões que permitam fácil acesso ao Centro aumenta a procura por imóveis em bairros que já estão com a ampliação de unidades residenciais esgotada. ''A tendência é que uma casa grande deixe de ser status'', aponta.
Já para quem está em moradias irregulares e áreas de risco, a situação é diferente. Enquanto no local onde estão os moradores conseguem imóveis maiores, fruto de investimentos de anos, nos projetos populares de habitação as residências oferecidas têm a vantagem da posse legal e ausência de riscos, mas tudo isso em um espaço menor.
''Os recursos são escassos. Então temos que equilibrar o tamanho do imóvel e do terreno com a necessidade de atender o maior número de famílias'', destaca a coordenadora de projetos habitacionais da Companhia de Habitação de Curitiba (Cohab), Vivian Troib. ''Em projetos em que há realocação de famílias em situação de risco damos preferência a construção de casas justamente para permitir que existam ampliações'', diz a
O problema, aponta Ultramari, é que mesmo os terrenos destinados a habitações populares estão encolhendo. ''A média na Região Metropolitana de Curitiba era de lotes de 350 metros quadrados na década de 1980. Hoje dificilmente se encontram áreas com esse tamanho'', aponta.
Na Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) o padrão é de 200 metros quadrados. ''Estamos mantendo esse padrão justamente para a pessoa poder ampliar o imóvel depois'', diz o presidente da instituição, Rafael Greca. ''Em geral, três meses depois da entrega (do imóvel), já registramos obras de ampliação.''
Quarto extra
A ampliação está nos planos da família de Indianara Laim Zen. Ela, os cinco irmãos, o pai e a mãe moram em uma casa de 33 metros quadrados nas Moradias Aquarela, projeto habitacional da prefeitura de Curitiba. A família deixou a beira do Rio Barigui. ''A gente quer construir um quarto extra, mas por enquanto o dinheiro ainda não deu'', explicou.
O espaço pequeno exige adaptação. A mãe e o pai de Indianara dividem o quarto com as duas crianças menores: um menino de seis meses e outro de quatro anos. No segundo quarto, duas adolescentes dividem o espaço com dois meninos de oito e seis anos. A cozinha é conjugada com a sala, o que não deixa espaço para uma mesa que abrigue todo mundo. Na hora das refeições o jeito é improvisar. ''A gente senta no sofá, no chão para comer'', conta.


