O grampo telefônico instalado na Delegacia de Polícia de Almirante Tamandaré provocou ontem a denúncia, pelo Ministério Público, de oito envolvidos no roubo de carros e tráfico de drogas, sendo três policiais, dois informantes e quatro assaltantes. Todos estão presos, à exceção do delegado afastado Paulo Padilha, contra quem o MP julga ainda não ter elementos suficientes para provar seu envolvimento. Ele está apenas ‘‘recolhido’’, segundo a Corregedoria de Polícia.
O juiz da Central de Inquéritos, Fernando Moraes, confirmou a autorização da escuta telefônica e está de posse das gravações, mas se negou a liberar o conteúdo das 84 fitas, ‘‘para não frustrar as investigações’’.
Muito cauteloso em sua posição de juiz, Moraes disse que a divulgação de parte das gravações pelo deputado Ricardo Chab não deve prejudicar as investigações. Chab afirmou que recebeu a fita num envelope fechado, sem identificação do remetente, com os dizeres: ‘‘Faça bom uso. Tenho mais’’. O Ministério Público, segundo o procurador Dartagnan Abilhoa, assegura que não vazou as gravações, até porque é o responsável legal por elas. Abilhoa chega a cogitar a possibilidade de uma escuta paralela àquela autorizada pela Justiça. ‘‘Acredito numa interceptação dessas gravações, mas posso garantir que do Ministério Público não saiu nada’’, disse o procurador. Chab afirma que assim que tomou conhecimento das fitas levou-as ao governador Jaime Lerner e pediu providências. A primeira foi o afastamento do delegado Paulo Padilha, em 3 de junho. O governador disse ontem que espera a apuração das responsabilidades e punição dos culpados.
O corregedor-geral Renato Souza Lobo afirmou que juntou ao processo somente a fita exibida por Chab, já que não dispunha dos cassetes originais. Ele vai esperar a degravação do material - o que deve ser feito por peritos designados pelo juiz Fernando Moraes - para então instaurar processo administrativo, que será conduzido por três delegadas.

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