"Grampo" revela segredos de líderes dos sem-terra
"Grampo" revela segredosde líderes dos sem-terra
Na gravação, eles falam de assassinato em acampamento e influência junto ao IncraArquivo FolhaVizinhança incômodaAcampamento do MST em frente ao Palácio Iguaçu: Governo ficou sabendo com antecedencia da manifestação através dos telefones mapeados
Da Redação
Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) podem estar envolvidos na morte de um de seus integrantes. É o que revela uma gravação inédita feita através de grampos, que o governo estadual instalou em telefones do MST em Querência do Norte e Loanda. A Folha teve acesso a essa gravação e também à versão integral de material já divulgado parcialmente pelo Governo.
Nas conversas de líderes estaduais (Rogério Mauro, Dirceu Boufler, Jaime Dutra, Marly Brambilla, Dalton Luciano Vargas e Roberto Baggio) e nacionais (Gilmar Mauro e João Pedro Stédile), eles falam também sobre a influência e o relacionamento do movimento com a chefe de Departamento de Conflitos Agrários do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Maria de Oliveira, ex-superintendente regional do Instituto, hoje lotada em Brasília.
Sobre a morte do lavrador João Cavalheiro Vasselik (Bugrão), de 43 anos, Rogério Mauro, um dos coordenadores estaduais, afirma a Marly Brambilla que o assassinato pode ter acontecido internamente. Vasselik, conhecido como Bugrão e assentado há oito anos na Fazenda Ingá, em Alvorada do Sul, no Norte do Paraná, saberia detalhes do assassinato do segurança José Lopes de Oliveira, o Django, morto na Fazenda Borborema, em Tamarana, há mais de dois anos. Essas informações são rebatidas por Mauro. (leia texto abaixo).
No mês passado, para evitar outras desocupações de fazendas, os líderes do MST pretendiam pedir ajuda da ex-superintendente regional do Incra, Maria de Oliveira. As gravações incluem uma conversa entre Baggio, da coordenação estadual e Dutra, líder do movimento em Querência do Norte. Eles falaram em pedir à Maria para que decretasse improdutivas algumas áreas de acampamentos que corriam risco de despejo.
A intenção de Baggio era que a chefe do Departamento de Conflitos Agrários revertesse os laudos do governo estadual da fazenda Rio Novo. Essa área foi desocupada pela Polícia Militar no dia 7 de maio, junto com as fazendas Florão, Transval, Bandeirante, São Francisco e Irmão Maria. Para Rogério Mauro, um dos coordenadores estaduais do MST, o uso do nome de Maria de Oliveira foi porque ela seria uma pessoa de confiança do movimento. Quando saiu do Paraná era acusada pelos ruralistas de favorecer o MST.





