Grampo provoca crise entre Polícia e Ministério Público
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 18 de junho de 1998
Eledovino Bassetto Junior 
O grampo telefônico instalado na Delegacia de Almirante Tamandaré rendeu um atrito entre a cúpula da Polícia Civil e a Promotoria de Investigações Criminais (PIC). Enquanto a PIC afirma que a própria Corregedoria teria solicitado a escuta, a pedido do ex-delegado da Antitóxicos, Adauto de Abreu, o corregedor Renato Souza Lobo afirma desconhecer as gravações e estar impedido de prosseguir as investigações, por não dispor das 84 horas de gravações. As fitas revelaram o envolvimento de policiais com roubo de carros e tráfico de drogas, sob o comando do delegado (já afastado) Paulo Padilha.
Ontem Renato Souza Lobo e o delegado-geral Artur Braga reuniram a imprensa para dizer que se tivessem conhecimento do grampo poderiam ter evitado o tiroteio na praça 19 de Dezembro, no dia 2 de junho, quando dois policiais do Grupo Tigre foram feridos em confronto com bandidos. É que os marginais que provocaram o tiroteio são os mesmos envolvidos no caso do grampo, instalado cerca de um mês antes. Na praça, eles tentaram devolver uma caminhonete Explorer ao proprietário, mediante o pagamento de resgate, mas foram surpreendidos pela polícia, que fora avisada pelo dono do automóvel.
Na entrevista, o corregedor afirmou que solicitou as fitas à Central de Inquéritos, por ofício, há dois dias, mas sequer obteve resposta do juiz Fernando Moraes, que está com as gravações. Eu mandei o ofício e não sei por que até agora essas fitas não foram encaminhadas da Polícia Civil para a Corregedoria, disse Renato Souza Lobo.
Já o delegado-geral Artur Braga procurou ressaltar o empenho do comando da polícia em punir os maus policiais. Ele disse que o delegado afastado Paulo Padilha já respondia processos na Polícia Federal quando foi admitido na corporação policial, revelados pela investigação interna. Apesar disso, por força de um recurso, Padilha foi admitido ao serviço policial, sob protestos de Braga. Braga também afirmou que há interesses escusos em desestabilizar o comando da Polícia.


