O júri oficial que apreciou os filmes brasileiros do 37º Festival de Cinema de Gramado de início plantou falsas pistas, distribuindo alguns prêmios secundários para filmes poucos inspirados. Mas ao final da noite acabou reconhecendo a importância de um título que, com o respaldo dos prêmios que levou, pode agora reivindicar uma visibilidade mais ampla junto ao mercado exibidor.
A festa de encerramento, correta como deveria, foi transmitida ao vivo para todo o País e teve como única atração extra a intervenção simpática de humoristas do grupo Homens de Perto, que interagiam com os apresentadores Zé Vitor Castiel e Renata Boldrini
Com muito senso de justiça, o júri nacional conferiu a 'Corumbiara' os prêmios de melhor filme, melhor direção (Vincent Carelli) e melhor montagem (Mari Correa). Mas não foi só. Também o júri popular e o júri formado por estudantes de cinema deram o prêmio de melhor filme a esse documentário de força invulgar.
O argumento conta a história de um massacre ocorrido em 1985, na Gleba Corumbiara, em Roraima, quando índios foram dizimados. O filme recria os fatos em linha investigativa e aponta os culpados, todos reconhecidos e até hoje impunes. A emoção que transmite ao espectador e o tom de denuncia são os pontos altos da realização.
Melhor ator e atriz foram Viviane Pasmanter e Leonardo Machado, respectivamente por ''Quase Um Tango...'' e ''Em Teu Nome'', este com o Prêmio Especial do Júri.
Os longas gaúchos acabaram dividindo boa parte da premiação, na sempre frequente solução salomônica que já é uma espécie de tradição em Gramado, premiados os esforços da turma da casa.
Entre os filmes do bloco latino, o vencedor foi o peruano ''La Teta Asustada'', de Claudia Llosa (melhor diretora), que também proporcionou a Magaly Solier o Kikito de melhor atriz. O filme uruguaio ''Gigante'' deu com inteira justiça o prêmio de melhor ator a Horacio Camandule, além dos Kikitos de melhor roteiro e prêmio da crítica. O melhor curta-metragem foi ''Teresa'', de Paula Zusltan e Renata Terra.

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