Grafiteiros terão muros livres na cidade para mostrar arte
Rubens Burigo Neto
Especial para a Folha
Dentro de mais algumas semanas Curitiba começa a ganhar cara nova. Mas o leitor não deve imaginar projetos arquitetônicos mirabolantes. O grafite, um dos alicerces da cultura hip hop - que tem milhares de adeptos entre os jovens da periferia - caiu no gosto do prefeito Cassio Taniguchi.
Quem passar pela Travessa da Lapa, onde praticamente toda a quadra entre as Avenidas Visconde de Guarapuava e André de Barros está grafitada, poderá ter uma idéia de como alguns muros e prédios abandonados da capital podem ficar.
Para embelezar a cidade e evitar que o número de pichações - as frases, nomes ou palavrões pintadas com spray - aumente, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) está cadastrando os artistas da rua. Até agora, mais de 15 grafiteiros estão registrados pela secretaria, responsável pelo programa. É uma excelente oportunidade para mostrar quem é quem. Não condenamos os pichadores, nossos irmãos de tinta, mas o projeto vai fazer com que os painéis grafitados fiquem ainda mais conhecidos, comemora o grafiteiro Jonathan Rodrigues, 26 anos, que pinta muros desde 1993. Jonathan diz que a idéia vale a pena só pelo fato da prefeitura se mostrar disposta a liberar muros de terrenos abandonados para serem grafitados.
Maria Lúcia Rodrigues, superintendente de obras e serviços da Semma, informou que o primeiro painel a ser grafitado fica na Praça Plínio Tourinho, em frente ao estádio do Paraná Clube, na Vila Capanema. Valorizamos a arte deles e até podemos influenciar os pichadores a se transformar em grafiteiros, acredita Maria Lúcia.





