Grafiteiros pedem respeito pela arte
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segunda-feira, 31 de março de 2014
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Londrina Os muros do Cemitério São Pedro, as paredes ao redor do Bosque Central e a fachada do Centro Cultural Lupércio Luppi, na Avenida Saul Elkind são alguns dos poucos espaços públicos destinados a arte do grafite em Londrina. Na ausência de locais cedidos para este fim, os profissionais costumam pedir autorização aos proprietários de espaços particulares e não cobram nada pela pintura. "A gente só quer mostrar a nossa arte", explica Huggo Fabiano da Rocha, de 33 anos.
Para ele, os profissionais do grafite são valorizados apenas fora de Londrina. "Já fomos para vários Estados a convite de empresas ou de outros grafiteiros. Aqui eu já pintei em um mocó que ia ser demolido porque não tinha outro local", relata. Huggo entende as dificuldades para viver apenas da arte e, por isso, trabalha como tatuador e também atua no setor de limpeza do Hospital Universitário.
Na contramão da desvalorização citada por ele, Huggo foi surpreendido por um convite para participar do primeiro dia da ExpoLondrina, no Parque Ney Braga, onde fará a pintura de um painel para mostrar o processo de criação da obra. Outras telas dele e do grafiteiro Tadeu Roberto de Lima Junior, mais conhecido como "Carão", ficarão expostas durante o evento. A dupla também foi convidada para participar do Encontro Internacional de Grafite, de 11 a 13 deste mês, em Curitiba. "O preconceito nessa área ainda existe, mas é menor. Falta muito apoio para a arte em geral", lamenta.
Polêmica
O desabafo foi feito dias após Carão ser informado que uma obra dele teria que ser apagada no centro de Londrina. A pintura ainda permanece na fachada do estacionamento que fica na Rua Goiás, entre a Avenida Rio de Janeiro e a Rua Souza Naves. O desenho de um carro de Fórmula 1 e de um capacete em homenagem ao piloto Ayrton Senna foram entendidos como propaganda do estabelecimento.
Fiscais da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) notificaram o proprietário do estabelecimento por uma infração à "Lei Cidade Limpa" e concederam o prazo de 72 horas para que ele apagasse a arte na fachada. O empresário Augusto Cesar Bordim, que cedeu o espaço ao grafiteiro, conta que o caso teve muita repercussão nas redes sociais e despertou a indignação de muitos londrinenses. "Eu não estaciono carros de Fórmula 1 e agora nem se eu quisesse eu poderia pintar o muro de branco. Tem muita gente disposta a entrar na discussão. O pessoal quer manter a homenagem ali", ressalta.
Bordim espera que a atitude dos fiscais sirva para que o poder público reflita sobre a lei. "Já pensou se todo mundo fosse obrigado a pintar a fachada do estabelecimento de bege ou marrom? Estamos indo na contramão de valorizar a arte", afirmou.
Carão garante que a atitude dos fiscais não o desestimulou a pintar. "Eu fico triste. Faltou o mínimo de respeito. Não cobrei nada pelo grafite. Só queria fazer uma homenagem", destaca.
Após a notificação aplicada ao empresário, o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Carlos Alberto Geirinhas, solicitou uma avaliação do caso à Câmara Técnica da Lei Cidade Limpa. Em nota, a Companhia justificou que as dúvidas sobre o caso "mostram que a lei não é suficientemente clara". A nota esclarece ainda que a CMTU "reconhece o valor do grafite enquanto arte", mas a notificação está mantida. No entanto, só após o parecer da Câmara Técnica, a CMTU se posicionará em relação à multa de R$ 1 mil.
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