Grafiteiros dão 'vida' aos muros de cemitério
PUBLICAÇÃO
domingo, 19 de junho de 2011
Paula Costa Bonini <br> Reportagem Local <br> 
As cores tomaram conta dos muros do Cemitério São Pedro, área central de Londrina, durante o final de semana. Cerca de 30 grafiteiros, de várias cidades do Paraná, estiveram reunidos para o ''2º Encontro de Graffiti de Londrina''. Desenhos de diferentes estilos, aos poucos, tomaram forma e ganharam ''vida'' por meio de mãos habilidosas. A Secretaria de Cultura, Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf) e empresários locais apoiaram o evento.
''A sensação é de reconhecimento'', afirmou o grafiteiro Hugo Fabiano Rocha, um dos organizadores do encontro. Segundo ele, Londrina tem poucos grafiteiros e falta espaço na cidade para esse tipo de arte. ''O grafite é uma manifestação cultural que vem da rua e, por isso, há um pouco de preconceito'', disse Rocha enquanto finalizava um desenho em que aparecia de mãos dadas com a filha. ''Meus grafites normalmente são de caricaturas'', observou. Ele explicou, no entanto, que os grafiteiros não obedecem a um tema fixo e que cada artista é livre para criar de acordo com o seu estilo.
O artista plástico Deivid Heal, que faz grafite há cerca de dez anos, veio de Curitiba especialmente para participar do evento. ''Nosso objetivo é estar na rua. Não buscamos retorno financeiro, só queremos mostrar o nosso trabalho'', destacou. A arte com grafite, de acordo com ele, está ganhando mais visibilidade e respeito da sociedade. ''Eu sempre gostei de desenhar. O grafite me seduziu e hoje não vivo mais sem essa arte'', falou Heal, ressaltando que sua intenção é fazer com que as pessoas reflitam sobre seus desenhos.
O secretário de cultura Leonardo Ramos afirmou que o encontro foi ''uma oportunidade de qualificar o grafite, que é uma arte admitida mundialmente''. Segundo ele, o cemitério é um local cercado por sentimentos tristes e os desenhos contrastam com essas sensações. O secretário enfatizou ainda que é possível ampliar a arte para outros locais da cidade. ''O grafite é diferente da pichação'', salientou.
Enquanto a pichação é o ato de escrever em muros, fachadas, asfaltos ou monumentos, com frases de protesto ou insulto, o grafite é uma manifestação artística do movimento hip hop, que utiliza desenhos e formas como meios de expressão. A arte é reconhecida pela Lei Federal 12.408, que estabelece que ''não constitui crime a prática de grafite realizada com o objetivo de valorizar o patrimônio público ou privado mediante manifestação artística, desde que consentida pelo proprietário e, no caso de bem público, com a autorização do órgão competente''.


