Cambará - Com desenhos coloridos e cheios de vida, a arte do grafite é capaz de encantar as pessoas, mas esse não é o único benefício que se pode obter através dessa técnica.
Carlos Henrique Floriano, 21 anos, mora em Cambará (Norte) e é um exemplo das mudanças que esse ''universo'' pode causar. Grafiteiro há três anos, começou a produzir seus desenhos dentro do próprio quarto. ''Eu tinha perdido meu pai, estava em depressão, sem estudar e comecei a desenhar dentro do meu quarto mesmo'', conta.
Com seu trabalho já conhecido pela comunidade, o jovem artista decidiu por vontade própria usar seu talento nos muros do Ginásio de Esportes da cidade para substituir a pichação existente no local e com o tempo ganhou o apoio da prefeitura. ''Eu comecei sozinho, depois a prefeitura quis apoiar com a compra do material'', explica.
A beleza dos desenhos do paranaense tem valor muito mais sentimental do que financeiro. Segundo o rapaz, o dinheiro não é o objetivo do grafite. ''Nunca quis ganhar dinheiro com isso, eu quero apenas expressar a arte através do muro'', diz Carlos Floriano.
Apoiar as criações não só ajudou a prefeitura a combater as pichações espalhadas pela cidade, mas também transformou os lugares grafitados em obras de arte. ''Eu não imaginava que ia ficar tão bonito, e ainda deu resultado porque a gente pintava, iam lá e pichavam, mas com os desenhos isso diminuiu'', revela o diretor de Esportes de Cambará, Mauro Carvalho.
Ainda segundo o diretor, o trabalho surgiu como uma oportunidade de Carlos Henrique mostrar o seu trabalho e que a parceria pode se repetir. ''A pista de skate da cidade é feita por ele e nós pensamos em pintar o ginásio daqui um tempo também'', afirma.
Carlos, que depois do grafite voltou a estudar, hoje pensa em fazer uma faculdade. ''Quero fazer artes e ajudar essa molecada que está na rua a ver o lado bom da vida através do grafite, porque sem ele, hoje eu não seria nada'', conclui.

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