Grafitagem muda a vida de adolescentes
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de dezembro de 2005
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
O que eles querem é que a história não se repita e que, a partir de um pouco de tinta e muita idéia na cabeça, adolescentes que cumprem medidas sócio-educativas desenhem uma vida diferente da que tiveram até a descoberta da grafitagem.
Hugo Fabiano da Rocha, 24 anos, é um dos sócio-educadores do projeto Murialdo, desenvolvido pela Escola Profissionalizante e Social do Menor de Londrina (Epesmel), que ontem pela manhã, ensinava as técnicas da arte, que nasceu nas ruas, a um grupo de adolescentes. O local escolhido para desenvolver a atividade foi o muro Cemitério São Pedro, na Rua Professor João Cândido (Área Central de Londrina).
Há quatro anos, Rocha descobriu que a arte, que sai dos tubos de tinta, poderia colorir a sua vida com uma outra história. ''Comecei a ganhar dinheiro e a viajar, divulgando o nosso trabalho. Isso desviou a gente de um caminho natural para quem não tem muita escolha'', afirmou Rocha, lembrando de muitos companheiros da época em que flertou com a marginalidade, que já morreram ou estão presos.
Os temas das grafitagens nos muros são livres cada participante da oficina pinta o que quer , mas o projeto de vida deles está se tornando comum, com as atividades do projeto. ''Acho importante a oficina porque uma hora, como essa, poderia estar fazendo coisa errada'', disse o rapaz de 18 anos, um dos participantes do Murialdo e que cumpriu duas medidas sócio-educativas de 45 dias e que, atualmente, cumpre outra de seis meses por assalto a mão armada.
O sócio-educador Tadeu Júnior, o Carão, aposta no talento de alguns participantes da oficina. ''Eles levam jeito para a arte. Outros são bastante interessados na atividade'', concluiu Carão, contemplando os 20 metros de muro grafitados, que marca com tinta, o início de uma nova história de vida, que poderá ser contada no futuro pelos adolescentes do projeto.


