Gráficas são investigadas por contrabando
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segunda-feira, 08 de julho de 2002
Denise Angelo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Polícia Civil investiga gráficas de Curitiba que estariam confeccionando as embalagens e os selos falsos para cigarros contrabandeados. Da Capital, essas embalagens seguem, segundo a polícia, para o Paraguai, onde revestem os cigarros falsificados e depois retornam ao Brasil, para ser vendidos principalmente por camelôs.
No final de semana, uma operação desenvolvida pela Delegacia de Crimes contra o Patrimônio Público conseguiu apreender 400 caixas de cigarros falsificados. Cada caixa continha 50 pacotes, com dez carteiras cada um, o que totaliza a apreensão de 200 mil carteiras, ou 4 milhões de cigarros. As caixas estavam em bagageiros de dez ônibus de turismo que vinham do Paraguai. A carga foi interceptada na BR-369, entre Campo Mourão e Mamborê, na região Noroeste do Estado.
Segundo o delegado Guaraci Juarez de Abreu, que comandou a operação, a carga está avaliada em U$ 30 mil. Não foi possível prender ninguém porque nenhum dos passageiros dos ônibus assumiu a propriedade do material contrabandeado. Além dos cigarros, os policiais encontraram 22,6 quilos de maconha nos mesmos veículos.
Segundo o delegado, um laudo feito pela Souza Cruz apontou que misturado ao fumo existiam grãos de areia, fios de cabelo, barbante, capim, plástico e insetos. Além disso, como o fumo utilizado é de baixa qualidade, estava contaminado com pesticidas e inseticidas que são proibidos na plantação. O índice de nicotina e alcatrão também estava acima do permitido pela legislação.
O delegado conta que a Souza Cruz perde cerca de 25% de sua arrecadação com a venda de cigarros falsificados. O Estado também perde, já que os cigarros são contrabandeados e portanto, não recolhem os impostos devidos.
A operação que apreendeu os cigarros é chamada de Gralha Azul e segue uma norma conjunta emitida pelas secretarias da Fazenda e da Segurança Pública, especificamente para coibir o contrabando de cigarros. Além dessas duas secretarias, compõe a força-tarefa a Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Estadual, Receita Federal e Estadual, Delegacia de Patrimônio Público e Departamento de Estradas de Rodagem.


