Graer realiza 121 salvamentos em um ano
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sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Londrina - Com mais de 700 horas de voo e 470 missões cumpridas, o Grupamento Aeropolicial de Resgate Aéreo (Graer) completa amanhã um ano de operações em Londrina. Entre os números desses 12 meses de atendimento, a equipe comandada pelo major da Polícia Militar, Júlio César Pucci, comemora as 121 vidas que ajudou a salvar com o resgate aeromédico nas regiões Norte e Norte Pioneiro, atuando em cerca de 90 municípios. Nos últimos seis meses, o número de atendimentos cresceu 30% em relação ao primeiro semestre. A previsão para o segundo ano é que aumente pelo menos 50%.
Para dar conta da demanda, a base do Graer de Londrina deve operar com uma aeronave mais nova e potente, que deve chegar em 40 dias. O helicóptero atual, Bell 206 Jet Ranger 3, com 20 anos de uso, deve ser substituído pelo modelo Eurocopter EC130 B4. "Isso aumentará nossa autonomia de voo e o limite de peso da tripulação", explicou. Atualmente, o Bell 206 voa 3h30 sem reabastecer e leva quatro pessoas: piloto, copiloto, e dois policiais operacionais.
Além de pelo menos o dobro de espaço interno, o Eurocopter tem maior potência que vai por fim a um dos maiores contratempos: o controle do peso. "Se voamos com toda a equipe e equipamentos, não podemos encher o tanque, pois o helicóptero não dá conta do peso", revelou. Com estas limitações, o Bell 206 deve ficar como aeronave reserva em Curitiba.
Mesmo com 264 missões policiais cumpridas, em apoio a assaltos, roubos a banco, sequestros, Pucci admite que o socorro nas regiões sem suporte médico avançado é o carro-chefe da equipe. "A prioridade é salvar vidas. Esta agilidade do transporte aéreo tem que estar disponível àqueles que estão distantes dos grandes centros", enfatizou. O Graer Londrina é o primeiro fora da capital, o passo inicial para a descentralização da unidade especial da PM.
O major explicou que a intenção do Graer é adotar o estilo europeu, com pelo menos uma aeronave em um raio de 100 quilômetros. "Cinco bases seriam suficientes para cobrir todo o Estado", disse, mostrando o mapa, dentro do hangar no Aeroporto Governador José Richa, onde fica instalada a equipe. Além do helicóptero de Londrina, o Graer dispõe de outros três helicópteros e dois aviões em Curitiba. A próxima base a ser instalada deverá atender a região da fronteira e ser instalada em Foz do Iguaçu ou Cascavel (Oeste).
Sem efetivo fixo
Londrina ainda não tem efetivo fixo. Equipes de Curitiba se revezam semanalmente no atendimento do Norte do Paraná. De acordo com o sargento João Roberto Cancio do Amaral, novas equipes devem ser treinadas em breve para assumir os postos. A formação de um piloto militar é mais rígida que a de um civil, por exemplo. "Enquanto a aviação civil prevê 500 horas de voo, nós passamos por treinamentos avançados que chegam até 900 horas no ar", detalhou.
Resgates em montanhas, rios e pousos em avenidas fazem parte da rotina do comandante. "O nível de dificuldade é grande, pois voamos quase todo o tempo em baixa altura e velocidade, o que torna mais difícil o controle da aeronave", contou Pucci.
O copiloto, capitão Andrey Muller é o responsável pelo auxílio imediato durante a rota. Já os dois operacionais são especializados em rapel e primeiros socorros, além do treinamento com fuzis de longa distância. "Estamos preparados para todos os tipos de ocorrência", garantiu o tenente Carlos Alberto da Costa.
O reconhecimento do serviço, tanto por parte da população como dos colegas policiais, é a maior recompensa para Pucci. "Percebemos um carinho grande daqueles que são atendidos. Nas operações, nós somos o olho das equipes de solo, repassando informações. Eles se sentem mais seguros", destacou.
O Graer, sediado no Aeroporto do Bacacheri, em Curitiba, foi criado oficialmente em 27 de outubro de 2010. O comandante contou que aos poucos, a população e os policiais ganharam confiança do serviço. "No início todos estavam incrédulos, hoje eles nos acionam", contou. Segundo ele, quanto mais rápido o tempo de chegada da aeronave, maior as chances de êxito. "O policiamento e resgate aéreo têm essa característica. Por isso é importante rapidez e agilidade na solicitação, pois cada segundo é valioso".


