Curitiba - Em outro ponto da BR-277, dessa vez ligando Curitiba ao Litoral, grades cortam o canteiro, dividindo a rodovia e a cidade em duas. A pé, para passar de um lado para o outro, apenas utilizando a passarela. Mesmo assim, em muito trechos os moradores tentam atravessar, destruíndo ou pulando a grade de proteção.
A Ecovia, concessionária que administra o trecho, diz que a medida de colocar grades em todos os pontos da BR, tomada em 2006, fez com os acidentes chegassem quase a zero. Entre 1999 e 2000, quando as passarelas foram instaladas, a concessionária registrou 43 acidentes e nove mortes. No ano passado, foram registrados quatro acidentes e duas mortes no trecho. Em todos casos, atropelamentos com feridos e mortes acontecem sempre na proximidade das passarelas.
De acordo com a concessionária, as passarelas no trecho estão espalhadas em cerca de 20 quilômetros do perímetro urbano entre Curitiba e São José dos Pinhais, na Região Metropolitana. No local, são 10 mil metros de tela separando as vias. A Ecovia diz que investiu R$ 1 milhão nas telas. Já cada passarela custou R$ 500 mil. Em torno de 50 mil carros passam por dia no trecho.
Mas moradores do local ainda defendem o direito de cruzar a rodovia, mesmo reconhecendo os benefícios da passarela e os perigos de passar pela estrada. ''A passarela é boa, pois evita acidente, mas é muita extensa e cansativa. Por isso acho que deveria ter espaços para atravessar pela rodovia'', defende a dona-de-casa Cleide Barbosa Rubens, de 40 anos, que usa a passagem pelo menos duas vezes por dia.
Neste trecho da rodovia, os acidentes não eram poucos. É o que lembra o agricultor João Carlos Gabardo, 49 anos, que usa a passarela para usufruir do comércio do outro lado da BR-277. ''Quando não tinha a grade, o pessoal não respeitava. Já vi muita gente ser atropelada aqui. Já vi até morte'', recorda. Na sua opinião, as pessoas não utilizam o recurso por preguiça. ''Não me incomodo em subir, pois a gente precisa passar para o outro lado'', afirma. (T.A.)

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