As grades que estão sendo colocadas em um dos cartões postais de Jacarezinho (Norte Pioneiro), a igreja de Nossa Senhora Imaculada Conceição, catedral da cidade, têm causado polêmica nos últimos dias. A cidade está dividida entre aqueles que apoiam a decisão da igreja e os que são contrários à instalação das grades, que vão cercar toda a praça Doutor Caldas, onde está o templo.
  Um dos oposicionistas à idéia é o comerciante Dan Francisco Batista. Segundo ele, a comunidade não foi consultada e as grades estão sendo instaladas de forma autoritária. ‘‘Aqui em Jacarezinho as pessoas resolvem fazer as coisas e vão fazendo. O que me deixa indignado é essa arbitrariedade. A catedral é um grande patrimônio da cidade e está instalada em praça pública. Os fiéis passarão, o padre passará, mas o templo continuará para as futuras gerações, por isso essas obras, que vão prejudicar a estética do prédio, não podem ser feitas sem nenhum estudo’’, queixou-se o comerciante.
  Outro morador que não gostou das grades é o eletricista Aldemar Natalino Barbosa. Segundo ele, fechar a praça significa tirar um pouco do lazer da comunidade. ‘‘A feira da lua, que acontece às quartas-feiras, na rua ao lado da igreja, não vai ter graça nenhuma com a praça fechada. Além disso, acho que ninguém tem o direito de fechar a casa de Deus’’, explicou.
  De acordo com o padre José Mário dos Santos, pároco da catedral, as grades são necessárias para proteger o templo, que é tombado pelo patrimônio histórico, e está sofrendo com o vandalismo. Ainda segundo ele, diversos fiéis já foram assaltados e perseguidos em frente à igreja e cercar a praça foi a única alternativa que lhe restou, depois de não receber ajuda do poder
público.
  Questionado sobre quais órgãos públicos teriam lhe negado socorro, o pároco não quis citar nomes ou instituições. ‘‘Se ninguém cuida desse patrimônio, a igreja vai cuidar. Atualmente está acontecendo uma grande falta de respeito com o que é sagrado. Nos dias de feira da lua fica uma grande sujeira por aqui. Até segurança particular contratamos, mas nem assim conseguimos resolver o problema’’, explica o padre, que tem o apoio de parte da comunidade.
  A vendedora Fernanda Camacho faz parte do grupo que apóia a decisão do pároco. ‘‘O vandalismo aqui em Jacarezinho está demais, sem contar os mendigos que ficam pedindo na porta da igreja’’.
  A secretária Ana Paula Teles tem a mesma opinião. ‘‘À noite juntam muitos maloqueiros perto da catedral. As pessoas não respeitam mais nada. Sou favorável a cerca’’, declarou a secretária.
  A obra terá o custo final aproximado de R$ 49 mil e inclui uma cobertura para a realização de festas e quermesses.

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