Arquivo FolhaAlguns pacientes ficam mais de 15 dias sem componentes do coquetelSeis meses depois do início da distribuição gratuita do ‘‘coquetel’’ de medicamentos contra a Aids, os portadores da doença continuam enfrentando problemas para obter a terapia na rede pública de saúde. O fornecimento irregular faz com que alguns pacientes fiquem até mais de 15 dias sem um ou mais componentes do ‘‘coquetel’’.
A falta oscila entre os vários medicamentos, mas permanentemente há pelo menos um item não disponível. Há vários dias os pacientes não encontram na rede pública o Indinavir - um inibidor de protease, que reduz a multiplicação das células doentes.
A coordenadora do Programa Estadual de DST/Aids, Maria Célia Borges da Fonseca, diz que o medicamento em falta pode ser substituído por outro com a mesma eficácia, mas admite que a troca nem sempre é bem aceita pelo organismo do paciente.
Uma das saídas tem sido uma rede de empréstimo de medicamentos entre os portadores. Clarice Calo - presidente do Grupo Pela Vidda, de apoio a portadores do HIV - calcula que, dos 800 pacientes cadastrados para receber a terapia, metade não consegue tomá-la com regularidade.
Maria Célia diz que manter o fornecimento regular é ‘‘quase inviável’’. ‘‘A aceitação dos medicamentos varia de pessoa para pessoa e isso dificulta a programação das compras’’, afirma. Segundo ela, o custo médio mensal do tratamento é de R$ 1,5 mil por paciente, ‘‘quase insustentável pelo serviço público’’. Para Clarice Calo, contudo, o que falta é ‘‘uma política que defina as responsabilidades do governo federal, dos Estados e municípios’’. ‘‘Um joga a responsabilidade para o outro, enquanto há vidas em jogo’’, afirma.

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