Governos acobertam execuções
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terça-feira, 17 de junho de 1997
Dary Júnior 
Curitiba
O Estado mata e esconde o crime. Se o caso vaza para a imprensa, a Justiça mantém a impunidade. Essas são as principais conclusões do relatório anual da Anistia Internacional, divulgado ontem em 162 países. O documento sobre as violações aos direitos humanos mostra que as autoridades acobertam execuções sumárias, inclusive no Brasil, disse ontem o diretor nacional da entidade, Paulo Pedron, em Curitiba, onde foi feita a divulgação do relatório no Brasil.
Os grupos de extermínio agem em pelo menos 69 países, diz o relatório, baseado em informações de 1996. No Brasil, os casos mais graves se concentram nas regiões Norte e Nordeste. Policiais civis e militares do Amazonas fazem parte de um esquadrão da morte conhecido como A Empresa, revela Pedron. O Paraná e os Estados da região Sul não foram citados no documento.
Ainda não temos denúncias de execuções que teriam sido comandadas por policiais aqui do Paraná, disse o diretor da Anistia Internacional. Ele acha possível que o próximo relatório inclua o caso do estudante Rafael Zanella, morto no mês passado, em Curitiba, numa operação policial cheia de irregularidades. Os agentes chegaram a forjar uma apreensão de maconha para ocultar o crime.
Brasil - A Anistia Internacional reservou quatro páginas para o Brasil em seu relatório anual, com destaque para os casos de massacres. Nós queremos punição para os assassinatos de agricultores sem-terra no Pará (Eldorado dos Carajás) e de índios em Mato Grosso (Reserva Sararé), crimes que foram praticados por policiais militares, cobra Pedron.
O diretor nacional da entidade informa ainda que vai ser dada atenção especial ao líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), José Rainha Júnior: Se a Justiça confirmar a condenação dele como participante de um assassinato de fazendeiro no Espírito Santo, vamos considerá-lo preso de consciência e fazer uma campanha mundial pela sua liberdade.
Por enquanto, a próxima campanha da Anistia Internacional é pelos 20 milhões de refugiados - principalmente mulheres e crianças - espalhados pelo planeta. Precisamos garantir o asilo político a pessoas perseguidas em seus próprios países, disse Pedron.


