Curitiba
O Estado mata e esconde o crime. Se o caso ‘vaza’ para a imprensa, a Justiça mantém a impunidade. Essas são as principais conclusões do relatório anual da Anistia Internacional, divulgado ontem em 162 países. ‘‘O documento sobre as violações aos direitos humanos mostra que as autoridades acobertam execuções sumárias, inclusive no Brasil’’, disse ontem o diretor nacional da entidade, Paulo Pedron, em Curitiba, onde foi feita a divulgação do relatório no Brasil.
Os grupos de extermínio agem em pelo menos 69 países, diz o relatório, baseado em informações de 1996. No Brasil, os casos mais graves se concentram nas regiões Norte e Nordeste. ‘‘Policiais civis e militares do Amazonas fazem parte de um esquadrão da morte conhecido como A Empresa’’, revela Pedron. O Paraná e os Estados da região Sul não foram citados no documento.
‘‘Ainda não temos denúncias de execuções que teriam sido comandadas por policiais aqui do Paranᒒ, disse o diretor da Anistia Internacional. Ele acha possível que o próximo relatório inclua o caso do estudante Rafael Zanella, morto no mês passado, em Curitiba, numa operação policial cheia de irregularidades. Os agentes chegaram a forjar uma apreensão de maconha para ocultar o crime.
Brasil - A Anistia Internacional reservou quatro páginas para o Brasil em seu relatório anual, com destaque para os casos de massacres. ‘‘Nós queremos punição para os assassinatos de agricultores sem-terra no Pará (Eldorado dos Carajás) e de índios em Mato Grosso (Reserva Sararé), crimes que foram praticados por policiais militares’’, cobra Pedron.
O diretor nacional da entidade informa ainda que vai ser dada atenção especial ao líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), José Rainha Júnior: ‘‘Se a Justiça confirmar a condenação dele como participante de um assassinato de fazendeiro no Espírito Santo, vamos considerá-lo preso de consciência e fazer uma campanha mundial pela sua liberdade’’.
Por enquanto, a próxima campanha da Anistia Internacional é pelos 20 milhões de refugiados - principalmente mulheres e crianças - espalhados pelo planeta. ‘‘Precisamos garantir o asilo político a pessoas perseguidas em seus próprios países’’, disse Pedron.

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