Governo vai mapear Aids em presídios
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quinta-feira, 13 de março de 1997
Lorena Aubrift Klenk Da Sucursal 
As secretarias estaduais da Justiça e da Saúde vão realizar este ano uma pesquisa para conhecer a real incidência de Aids entre os internos do sistema penitenciário paranaense. Será o primeiro levantamento científico do problema nos presídios do Estado. O teste para detecção do HIV só é realizado nos presos que o requisitam.
De acordo com a sanitarista Carmen Muller, da Secretaria da Justiça, existem atualmente 64 casos conhecidos de portadores de HIV no sistema penitenciário, que abriga 4 mil presos em 10 unidades. Mas pesquisas realizadas em outros estados indicaram que, em média, 10% da população penitenciária têm o vírus da Aids.
O Paraná não deve fugir à regra, diz Carmen. Se essa proporção for confirmada, seriam 400 portadores do HIV. A pesquisa será realizada com recursos do Ministério da Saúde e deverá estar pronta nesteano.
O levantamento do problema da Aids faz parte de uma política que pretende melhorar o atendimento à saúde dos presos, dificultado hoje por vários fatores. Um deles é o preconceito.
O Paraná tem um Complexo Médico Penal, instalado em Pinhais. Mas sua capacidade é limitada. Ele não dispõe de especialistas, não realiza exames complexos nem cirurgias.
Segundo Carmen, a intenção é dotá-lo de mais recursos humanos e materiais, para resolver ali a maior parte possível dos problemas. Um convênio entre as secretarias da Justiça e da Saúde vai facilitar o atendimento na rede de saúde normal. Já estão garantidos o acesso ao atendimento especializado através da central de marcação de consultas, a entrega trimestral de cestas básicas de medicamentos e preservativos e a realização de exames de HIV sem custos para a Secretaria da Justiça.


