Governo vai descontar os dias parados
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 07 de junho de 2000
Valmir Denardin e Maigue Gueths De Curitiba 
O governo anunciou ontem que vai descontar os dias parados dos professores estaduais já no pagamento de junho. A greve da categoria completa hoje 17 dias. Além dos dias de greve, também serão descontadas as horas não-trabalhadas durante a operação-tartaruga, realizada no início de maio. O presidente da APP-Sindicato (Associação dos Professores do Paraná), Romeu Gomes de Miranda, disse que o desconto é ilegal.
A decisão foi tomada um dia depois de os grevistas terem feito vigília no portão da casa do governador Jaime Lerner (PFL). Essa atitude irritou Lerner, que precisou atrasar sua ida para casa, anteontem à noite, para evitar o contato com os professores.
A Secretaria da Educação ordenou que os diretores das 2.160 escolas da rede estadual registrem as ausências de funcionários e professores em greve, para o desconto na folha de pagamento.
Segundo Miranda, o desconto só poderia ocorrer se a Justiça declarasse a greve ilegal, o que não havia ocorrido até ontem. Não estamos na praia e nem passeando e, além disso, já nos comprometemos a repor todo o conteúdo não-dado, afirmou Miranda.
O assessor jurídico da Secretaria da Educação, Manoel Henrique Maingué, afirmou que a greve dos professores é ilegal e inconstitucional. De acordo com o advogado, o direito de greve, embora assegurado pela Constituição Federal, não se aplicaria ao funcionalismo público porque o assunto necessita de lei ordinária específica, ainda inexistente. Na inexistência de lei específica, prevalece o Estatuto do Magistério paranaense, que proíbe a greve no serviço público, afirmou Maingué.
O presidente da APP disse que Lerner deverá receber hoje uma comissão de lideranças, para intermediar uma negociação com os grevistas. Na comissão estariam representantes da Igreja Católica, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Comissão Nacional de Direitos Humanos.
Cerca de 1,5 mil professores participaram, ontem pela manhã, de uma passeata, entre o centro de Curitiba o Palácio Iguaçu. Além dos parlamentares de oposição, a negociação ganhou força nos últimos dias com o apoio do líder do governo, Valdir Rossoni (PTB), e do presidente da Assembléia Legislativa, Nelson Justus (PTB). Entre as onze reivindicações da categoria, as principais são o reajuste salarial de 41,14% e a implantação da hora-atividade.


