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Arquivo Folha




O Contorno Leste, cujo traçado vai cortar esta região em Piraquara, vai permitir desviar o tráfego pesado de caminhões da região urbana de Curitiba; o governo temia problemas ambientais nos mananciais que abastecem a cidade


O DNER deverá construir uma rodovia de 18 quilômetros, integrando a Região Metropolitana entre as BRs 116 e 277, para compensar o governo do Estado pela aceitação do projeto original do Contorno Leste. O acordo, que promete encerrar uma polêmica de quase dois anos, também obrigou o DNER a projetar um desvio no traçado. A licença para instalação das obras, negada até agora pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), é esperada para as próximas semanas.
‘‘Esperamos que os contratos possam ser assinados dentro de 30 a 40 dias e a obra, iniciada em seguida’’, disse ontem Fernando Montenegro, especialista da área de transportes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) - um dos financiadores do projeto -, que veio ao Paraná para visitar as obras já iniciadas do corredor São Paulo-Curitiba-Florianópolis.
O corredor inclui sete lotes de obras no Paraná, dos quais dois ainda não tiveram os contratos com as empreiteiras assinados por causa da discussão em torno do traçado do Contorno Leste. O Contorno é um trecho de 44 quilômetros que será construído para integrar a BR-116 desde o município de Quatro Barras até o bairro Pinheirinho, em Curitiba, desviando o tráfego pesado dos trechos urbanos da rodovia.
Mas o projeto apresentado pelo DNER foi considerado agressivo ao meio ambiente pelo IAP e pela Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec). Os órgãos estaduais também argumentavam que o projeto do DNER não cumpria a função de integrar a Região Metropolitana.
A construção de uma nova rodovia teria o objetivo de fazer essa integração. Segundo o diretor do DNER no Paraná, João Alberto Sautchuk, essa rodovia, em pista simples, teria 18 quilômetros e ligaria a BR-116, da altura do Parque Castelo Branco, à BR-277, no trecho da Avenida Rui Barbosa, em São José dos Pinhais. ‘‘Estamos fazendo um estudo de viabilidade e procurando estradas ou ruas que possam ser aproveitadas, reduzindo o custo’’, afirmou. Segundo Sautchuk, o trecho custaria cerca de US$ 12 milhões.
O DNER também está submetendo ao IAP uma proposta de alteração no trecho do Contorno Leste que passa em Piraquara. Segundo Sautchuk, será um desvio para preservar a Florestal Estadual Metropolitana e que aumentará o percurso em cerca de 500 metros.
O DNER também está estudando uma alteração no traçado do Contorno na altura do Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais. A variante deverá ser deslocada cerca de 250 metros, para permitir uma possível ampliação da terceira pista do aeroporto, a ser construída no ano que vem.
Segundo o coordenador do projeto do corredor São Paulo-Curitiba-Florianópolis, Luziel de Souza, as obras não deverão sofrer atrasos, porque o DNER está trabalhando com antecipação de parcelas dos recursos, garantidas pelas agências financiadoras: BID e Eximbank japonês. Cada uma vai entrar com US$ 450 milhões para o projeto. Outros US$ 283 milhões serão bancados pelo governo federal e US$ 100 milhões pela iniciativa privada. A primeira parcela de recursos do BID, no valor de US$ 35 milhões, será liberada nos próximos dias.

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