Governo tira mais oito parques do papel
Governo tira mais oito parques do papel
Criados por decreto há anos, oito dos 19 parques estaduais só viraram realidade por decisão do governo Jaime Lerner
Da Redação
Denis Ferreira NetoParque modeloO Parque Estadual do Marumbi estabeleceu o modelo de implantação de parques, reconhecido até no exteriorO Parque Estadual do Guartelá, localizado entre os municípios de Tibagi e Castro, na região de Ponta Grossa, passou anos sendo uma lenda como o seu próprio nome. Segundo historiadores, Guartelá é o resultado da soma de algumas palavras e teria tido origem no século XVII, quando um dono de rebanhos, preocupado com o roubo de gado pelos índios, mandou um recado para um compadre: Guarda-te lá que eu cá bem fico.
Criado por decreto em 1992, o parque não saiu do papel, mas passou a ser contabilizado como unidade criada e protegida pelo Estado desde aquela ocasião. Pelo decreto, ele teria 5.200 hectares, um tamanho ideal para parque, não fosse o fato de que, se efetivado, teria que desapropriar vilas inteiras dos municípios de Castro e Tibagi.
Sem projeto e nem mesmo uma iniciativa de desapropriação para que a área pudesse ser utilizada pelo público, o Guartelá só foi pago e recebeu um plano de manejo em 1995, na atual administração estadual.
Há três anos, a Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos iniciou um trabalho de estruturação dos parques estaduais para o desenvolvimento de um turismo controlado. O governo fez um estudo no Guartelá para escolher a área que oferecia a maior beleza cênica e iniciou o processo de desapropriação de 800 mil hectares. No final do ano passado o parque foi inaugurado. Este ano estão sendo comprados mais 1.050 hectares e iniciado um trabalho em reservas particulares para a proteção ambiental em outros mil hectares no seu entorno.
O Guartelá não é o único parque que só saiu do papel neste governo. Nós implantamos e entregamos para o público oito parques estaduais, de um total de 19 existentes no Estado, e 11 unidades de conservação ambiental, de um total de 12. E estamos criando mais dois novos parques, que terão seu processo de planejamento e implantação iniciados ainda este ano, explica o presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), José Antonio Andreguetto.
O Parque Estadual do Marumbi é outro exemplo. Com 2.342 hectares, o Marumbi foi considerado por professores da Universidade do Colorado (EUA) e chefes de unidades de conservação ambiental do Brasil um modelo em administração e manejo. Porém, o parque passou quatro anos como sendo uma área cheia de lixo e sem acesso ao público.
Área devoluta do Estado na Serra do Mar, o Parque Estadual do Marumbi foi criado através de decreto, em 1991, e ficou esquecido até 1995, quando o governo Jaime Lerner (PFL), em conjunto com o Programa Nacional de Meio Ambiente (PMA), direcionou recursos para a implantação da área.
As casas da antiga estação ferroviária do Marumbi foram estruturadas e implantados centros de visitantes, de eventos, e museu histórico e cultural. Através de parcerias com organizações não-governamentais são realizadas atividades permanentes de educação ambiental. Desde que foi implantado, em 1996, o parque recebe cerca de 15 mil visitantes por ano.
O Marumbi determinou a metodologia do atual governo para a implantação de parques e áreas de proteção ambiental, diz o chefe das unidades de conservação da Secretaria do Meio Ambiente, Maurício Savi. Essa espécie de metodologia da inversão foi a responsável pelo impacto que o Marumbi teve entre os profissionais da área ambiental no Brasil e em outros países. O governo decidiu investir em educação ao invés de fiscalização e em criatividade em lugar de autoridade.
A receita deu certo. Na época de sua implantação, a Secretaria do Meio Ambiente trocava 30 litros de lixo por um pôster do parque. Em dois anos, quase 20 mil pessoas participaram do programa, retirando do local 120 mil litros de lixo. Também com a participação da comunidade foram plantadas 33 mil mudas de palmito. Até hoje a secretaria, em conjunto com diversas ONGs, organiza mutirão de plantio de palmito, de limpeza e de recuperação de trilhas. Sempre à base do voluntariado, envolvendo o cidadão na proteção da unidade ambiental, resume Savi.
Infra-estrutura Foi desse trabalho que se originou a metodologia adotada no Guartelá. Sexto maior canyon do mundo, o Guartelá conta com centro administrativo, de visitantes, museu, laboratório de ciências, área de camping e lanchonete, além de parcerias com organizações não-governamentais. A infra-estrutura foi implantada em 1997 e o plano de manejo, que prevê ações para cinco anos, está sendo concluído em 1998.
Outros parques passaram pelo mesmo processo. É o caso, por exemplo, do Parque Estadual do Cerrado (no município de Jaguariaíva) e da Floresta Estadual do Palmito (em Paranaguá), que serão inaugurados em breve, e do Parque Estadual das Lauráceas, na região do Vale do Ribeira, divisa com São Paulo. Este último é o maior parque do Estado, com 27 mil hectares, e foi criado por decreto em 1979. Área de difícil acesso, sem demarcação ou qualquer característica que o identifique como parque, ele é completamente desconhecido da população. Quase 20 anos depois de criado, ele começou a ser dotado de infra-estrutura.
Pró-Atlântica O Parque das Lauráceas vai poder usar parte dos US$ 18 milhões do Pró-Atlântica, financiamento a fundo perdido da Alemanha com contrapartida do governo do Estado, que será aplicado em diversas ações de conservação da Mata Atlântica. Também irão se beneficiar do Pró-Atlântica a área de entorno do Parque Marumbi e a Estação Ecológica de Guaraguaçu, na divisa de Paranaguá com Pontal do Paraná.
Mais dois parques estão sendo criados pelo governo do Estado ainda este ano - e vamos iniciar quase simultaneamente o processo de planejamento e implantação das unidades, faz questão de destacar Maurício Savi. Trata-se do Parque Estadual de Boguaçu, em Guaratuba, com 6.200 hectares, e o Parque Estadual Lagoa do Parado, também em Guaratuba, com 11 mil hectares. A Secretaria do Meio Ambiente também está trabalhando no projeto de revitalização de Vila Velha, na região de Ponta Grossa.
Mas o programa mais ambicioso em andamento é o projeto de lei do sistema estadual de unidades de conservação que está sendo encaminhado pela secretaria. Trata-se do documento mais completo e técnico do Brasil. O objetivo é reunir todos os setores que interferem ou compartilham dos parques, como o setor turístico, proprietários rurais, a Fiep, o ministério público, entre outros, para garantir o sucesso das áreas, explica o presidente do IAP, José Antonio Andreguetto.
Com o novo sistema estabelecido, o governo acredita que será possível triplicar as áreas de parques estaduais do Paraná, alcançando algo em torno de 7% de toda a área do Estado.





