Governo suspende remédio obtido na Justiça
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domingo, 13 de julho de 2008
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
O Governo do Paraná suspendeu na semana passada o fornecimento de medicamento de alto custo para a arquiteta Erica Eriko Watanabe Nishimura, 40 anos, portadora de hipertensão arterial pulmonar (HAP), doença cujo tratamento pode custar até R$ 20 mil mensais. A paciente obteve na Justiça o direito de receber o remédio bosentana. A suspensão do uso poderá provocar perda da qualidade de vida e representar risco de morte.
De acordo com Erica, uma caixa foi fornecida através do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar). No dia 7, no entanto, ela recebeu comunicado do órgão sobre a suspensão. ''A alegação foi que o bosentana teria o mesmo efeito do outro medicamento que uso, que é o sildenafil. Mas o ideal seria uma combinação dos dois'', declarou.
O advogado da paciente Augusto Ballalai informou que vai entrar com recurso ''o mais rápido possível'' para restabelecer o fornecimento do remédio. ''Também vamos tentar antecipar a realização de uma perícia que, infelizmente, pode demorar mais do que a necessidade dela'', comentou.
A HAP é uma alteração cardiovascular pulmonar rara, grave e de alto grau de mortalidade. Provoca uma alteração nas veias, que aumenta a resistência e a pressão pulmonar. O resultado é falta de ar constante e desmaios, entre outros sintomas.
O tratamento mais indicado, de acordo com o pneumologista Guilherme Pessoa Fazolo é o uso da bosentana, que age nas paredes arteriais, reduzem a pressão e a contração muscular, e do sildenafil. ''A bosentana é o único remédio capaz de aumentar a vida dos pacientes com HAP'', explicou Fazolo. Ele acrescentou que os tratamentos alternativos são ainda mais caros.
No ano passado, relatou Fazolo, um paciente morreu em Londrina no ano passado por falta do fornecimento, apesar de ter ganho na Justiça o direito de receber o medicamento gratuitamente. Enquanto o impasse permanece, Erica continua fazeno o tratamento com o sildenafil, que é fornecido de graça pelo Estado. Os comprimidos recebidos recentemente devem durar apenas até o final do mês.
O diretor da 17 Regional de Saúde, Adilson Castro, explicou que a primeira liberação do medicamento ocorreu por via judicial e que o Estado havia recorrido da decisão por obrigação. E que com isso o processo administrativo do pedido dela havia sido arquivado. ''Estou reabrindo esse processo para fornecer o medicamento por via administrativa'', explicou. Castro, no entanto, não soube precisar o prazo necessário para a normalização do fornecimento.


