O cancelamento da vinda da equipe técnica do Departamento Penitenciário do Estado (Depen) a Londrina, que estava prevista para ocorrer ontem, acirrou ainda mais a polêmica em torno da construição do Centro de Detenção Provisória. A Prefeitura informou que estará desapropriando o terreno ao lado da Casa de Custódia de Londrina (CCL), na zona sul, para a construção. Já o Estado garantiu, ontem, que, naquele terreno, a obra não será construída.
O secretário de Estado da Justiça e Cidadania, Aldo Parzianello, explicou que o governo do Estado não foi oficialmente informado pelo Município sobre qual terreno teria sido disponibilizado para receber a obra, por isso os engenheiros do Depen tiveram sua viagem cancelada. Em relação ao terreno ao lado da CCL, ele explicou que o local não seria adequado, já que a presença de rochas poderia implicar no aumento dos custos e em atraso na conclusão nas obras.
Parzianello lembrou que, durante a construção da própria CCL, foram encontradas várias rochas. O mesmo teria acontecido, segundo ele, na construção da Unidade de Internamento para Adolescentes (UIA), que também está sendo feita ao lado da CCL. A obra, de acordo com o secretário, está atrasada pois, em seu início, foi necessária a implosão de parte de uma rocha e uma mudança no local exato do prédio. A unidade deveria ter sido entregue em maio. ''Vamos esperar a indicação de outro terreno'', ressaltou.
A falta de comunicação entre Estado e prefeitura irritou os vereadores, que convocaram o secretário municipal de Governo, Adalberto Pereira da Silva, para se pronunciar a respeito do assunto na sessão ordinária de ontem. Pereira se justificou afirmando que a definição sobre o melhor local a receber a obra é obrigação do Estado. ''Estão querendo passar a responsabilidade para nós, mas não temos elementos para definir isso'', frisou.
O secretário municipal comentou que a zona sul é o melhor local para receber a obra, pois naquela região já existe um complexo de segurança. Ele estará amanhã visitando o terreno ao lado da CCL na companhia de vereadores. Na semana passada, o prefeito Nedson Micheleti (PT), disse que, no caso do Estado rejeitar a proposta feita pelo Município, ficará responsável pela desapropriação de um terreno em outro local.
O presidente da Câmara, Orlando Bonilha (PL), declarou que Adalberto Pereira tentou ''justificar o injustificável''. Bonilha disse que os vereadores temem que a cidade perca os R$ 2,5 milhões liberados para a construção do presídio. E reafirmou que um terreno existente em frente à CCL pode ser a solução para o problema.
O Centro de Detenção Provisória terá capacidade para abrigar 400 presos, com uma ala reservada para mulheres. Somente após a definição do local será aberta licitação. O prazo para concluir a construção é de quatro meses após o encerramento do processo licitatório. Atualmente, Londrina tem uma defasagem de mais de 350 presos em suas carceragens.

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