Governo quer mais presos trabalhando
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 21 de março de 2005
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba A Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania (Seju) quer aumentar para 75% o índice de presos que trabalham em unidades prisionais paranaenses. A meta foi anunciada ontem pelo titular da pasta, Aldo Parzianello, durante inauguração de fábricas na Colônia Penal Agrícola (CPA) e na Penitenciária Feminina do Paraná, em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba.
Atualmente, segundo o Departamento Penitenciário (Depen), 48% dos presos em unidades para condenados e 14% dos detidos em prisões para quem aguarda julgamento trabalham, em fábricas, canteiros mantidos por empresas e outras atividades. ''A grande dificuldade é conseguir ocupação para presos provisórios, pois a transitoriedade destes detidos é grande. Mas estamos fazendo o possível'', disse Parzianello.
Na fábrica inaugurada ontem na CPA, serão produzidos entre 500 e mil colchões por mês, que serão usados por presos do sistema prisional. O trabalho será feito a princípio por 10 detentos. Cerca de R$ 210 mil foram gastos na compra de matéria-prima e de equipamentos. De acordo com a assessoria da secretaria, a fabricação própria representará uma economia de cerca de 40%.
Já na Penitenciária Feminina, serão fabricados absorventes e fraldas (infantis e geriátricas). As fraldas serão usadas por crianças da creche da unidade e por filhos de presos nas prisões paranaenses em dias de visita. Os absorventes serão utilizados pelas presas da penitenciária e por mulheres que forem visitar parentes nas unidades prisionais do Estado.
De acordo com a chefe da divisão ocupacional e de produção do Depen, Regina Célia de Oliveira, parte das fraldas será disponibilizada para creches e asilos. No total, a produção será superior a 5 mil absorventes e fraldas por mês. ''Para a fábrica da Penitenciária Feminina, foram gastos cerca de R$ 4 mil.''
A princípio, sete presas trabalharão confeccionando fraldas e absorventes. Uma das escolhidas é Maria Hilda de Carvalho, 55 anos, que está na penitenciária há quatro anos. ''Estou interessada em aprender, em ser útil e na remissão de pena (três dias de trabalho representam um dia a menos na prisão). Quando sair daqui, quero trabalhar na penitenciária como instrutora, para ajudar quem vai estar na mesma situação em que estive e estou.''


