O secretário estadual de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, disse ontem que o governo deve evitar o confronto e não planeja uma nova desocupação da fazenda Água Amarela, no município de Jardim Olinda (90 km de Paranavaí). A fazenda foi reocupada sábado por duzentos trabalhadores sem-terra, dois dias após a desocupação feita pela Polícia Militar.
‘‘O governo tem prudência e cautela e vai analisar esse caso com muita calma’’, avalia o secretário. Para ele, a reocupação da fazenda ‘‘revela mais uma vez o caráter belicoso do MST (Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). É momento de aguardar a reflexão dos líderes do movimento, que devem ponderar e ver que cometeram um erro estratégico e político’’.
Ao contrário do que o MST alegou, o secretário disse que o governo nunca prometeu que não faria desocupações. ‘‘Quem prometeu a desocupação pacífica foi o próprio MST, na medida que o governo disponibilizasse terras’’, observa Oliveira.
Com o posicionamento do governo, o desfecho no caso da fazenda Água Amarela poderá ficar sob a responsabilidade do próximo secretário de Segurança Pública. Na semana passada, Cândido de Oliveira (que substituirá Rafael Greca na Casa Civil) sinalizava que a troca ocorreria logo após o Carnaval.
PrisãoO delegado do município de Jardim Olinda, Ariosvaldo Cortiano, pediu ontem a prisão preventiva do líder da invasão na Fazenda Água Amarela, Francisco Strozati, o ‘‘Chicão’’. Ele está sendo acusado de invasão de propriedade e formação de quadrilha. O pedido foi ajuizado ontem à tarde no Fórum de Paranacity.
Strozati é um dos coordenadores do MST na região Noroeste e liderou a reocupação da Fazenda Água Amarela. Strozati afirmou que não teme ser preso e que acredita que sua prisão irá revoltar ainda mais os trabalhadores acampados na área. Segundo o líder do MST, a nova invasão da fazenda foi feita em represália à prisão de seis sem-terra, ocorrida durante a reintegração de posse da área, quinta-feira passada, pela Polícia Militar.
Segundo o delegado de Jardim Olinda, a situação continua tensa na região e o número de novas famílias acampadas na fazenda vem crescendo a cada dia. No domingo, o delegado esteve na Fazenda Água Amarela negociando com os sem-terra e disse que há muita resistência dos trabalhadores em abandonar a área.

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