Governo quer cassar liminares da UEM e Unioeste
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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2002
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Estado protocolou, ontem, no Tribunal de Justiça do Paraná, pedido de cassação de liminares concedidas em outubro de 2001 para a Universidade Estadual de Maringá (UEM) e para a Universidade do Oeste do Paraná (Unioeste), de Cascavel, que obrigavam o governo a liberar recursos para o pagamento dos servidores em greve. Na ocasião, parte dos salários de setembro havia sido suspensa.
A medida foi anunciada, ontem, em entrevista coletiva, pelo secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahrhaftig. O governo quer se cercar de todo embasamento legal para manter sua decisão de bloquear os recursos das universidades, que deveriam ter sido repassados até ontem. Até que a Justiça se pronuncie, o dinheiro ficará bloqueado. A UEM, Unioeste e a Universidade Estadual de Londrina (UEL) estão em greve há 166 dias.
A UEL não tem proteção de liminar para contestar o não repasse de verbas. Em outubro, o governo voltou atrás e liberou o pagamento antes mesmo da decisão da Justiça. Naquela época não tínhamos nenhuma proposta, afirmou o secretário ao justificar o bloqueio.
O repasse para a UEL, referente a fevereiro, soma R$ 8.319.385,00. A UEM receberia R$ 6.449.665,00 e os recursos para a Unioeste seriam de R$ 2.701.000,00. Desde o início da greve o governo, informou Wahrhaftig, já liberou cerca de R$ 108 milhões para as universidades. Se continuarmos repassando recursos, estaremos penalizando o contribuinte paranaense que está pagando por um serviço que não está sendo prestado.
Quanto ao repasse de recursos para pagamento dos funcionários que não aderiram à greve, Wahrhaftig voltou a afirmar que só irá liberar o dinheiro depois que os reitores prestarem conta de quem trabalhou. Até o início da noite, a secretaria só havia recebido uma listagem parcial da Unioeste, contendo apenas a relação de empregados da reitoria do campus de Cascavel. A instituição tem outros quatro campi.
Wahrhaftig, que já havia descartado a readequação no Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS) do funcionalismo como proposta para pôr fim à greve, disse, ontem, que o governo continuará estudando a possibilidade de alterar os valores da tabela de vencimentos dos servidores. Até a aprovação do projeto de autonomia universitária, estaremos estudando isso, garantiu.


