Momentos de extrema tensão marcaram os últimos minutos antes do acordo final entre autoridades estaduais e os presos rebelados na Penitenciária Central do Estado (PCE). Irritados com a demora nas negociações e com a atitude de alguns policiais militares, que insistiam em apontar armas para os internos, os detentos pegaram o agente penitenciário Valdir Pereira de Jesus, o ‘Didi’, e o levaram até a beira da laje de uma das alas do presídio. ‘‘Se vocês querem atirar, atirem (dizia aos policiais). Vamos matar todos os reféns’’, ameaçou um dos rebelados.
Eles apontaram como uma das causas da revolta o não cumprimento de acordos firmados com as autoridades. Pela amanhã, os presos resolveram liberar um dos reféns – Antonio Setter da Silva, 44 anos – por causa da promessa de que o fornecimento de energia elétrica e água do presídio seria restabelecido, além da alimentação dos quase 1,5 mil internos. ‘‘Estamos aqui para matar ou morrer. Não estamos nem a풒, gritou um dos detentos, garantindo que liberaria mais um refém caso o acordo fosse cumprido.
Ao ser libertado, Silva estava muito nervoso. ‘‘Não sei o que está acontecendo com essas autoridades. Eles negociaram e recuaram. Será que eles não percebem que minha vida está em jogo’’, exclamou. Para pressionar, os presos começaram a quebrar as portas de algumas das alas do presídio, provocando os militares. ‘‘Vamos abrir todas as portas para ficar tudo aberto. Se é para morrer, vamos morrer todo mundo’’, disse um dos líderes da rebelião.
Às 14h30, o comandante da Companhia de Choque da Polícia Militar, Ademar Moletta, decidiu recuar e ordenou que a energia fosse reestabelecida. Poucos minutos depois, foi oficializado o acordo. A água foi religada mais tarde. No início da noite, os detentos receberam o jantar. Antes de deixar a penitenciária, os reféns libertados foram atendidos por médicos. Ao sair, eles não deram entrevista. Estavam abatidos e aparentavam abalo psicológico.

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