Governo promete projetos sociais na favela
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quinta-feira, 03 de março de 2005
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Depois de três dias, a megaoperação das polícias Civil e Militar que fechou a favela Vila das Torres, uma das mais antigas de Curitiba, terminou com 37 prisões, cerca de quatro mil pessoas abordadas e revistadas e a apreensão de algumas armas, alguns carros com chassi adulterado e muitos objetos furtados, a maioria deles em sinaleiros. Dos 21 mandados de prisão, sete foram cumpridos. Cerca de 600 policiais participaram da operação. Segundo o secretário de Estado de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, cerca de 40 homens vão continuar na favela por tempo indeterminado e a segunda etapa da operação, que vai ter cunho social, está sendo implantada. A mesma ação deve ser repetida em outros locais de Curitiba e em Foz do Iguaçu.
''Constatamos que o problema na Vila das Torres não era falta de policiamento, mas sim social. Com essa ação, a idéia era tomar uma medida definitiva, atacando também a questão social'', afirmou Delazari, ao explicar que com o término da operação na favela entram em prática o trabalho de 15 secretarias municipais e da Delegacia Regional do Trabalho (DRT) para ajudar a população do local.
Segundo o secretário, as prisões realizadas foram suficientes para espantar a criminalidade da região e a polícia vai permanecer lá pelo tempo que for preciso. Quanto à continuidade de ações como essa, Delazari afirmou que ''não é uma operção pontual, mas sim um projeto do governo. A próxima ação deve ser em Foz do Iguaçu'', prometeu. Em Curitiba, segundo o secretário, também há outras regiões que precisam da mesma operação.
Durante os três dias, cavalararia, atiradores de elite e policiais treinados abordaram pessoas nas ruas, casas, estabelecimentos comerciais, vistoriaram mais de 900 carros e 71 motos. A polícia usou na operação cães farejadores, dois helicópteros, 200 viaturas, motos, dois caminhões do Corpo de Bombeiros e três microônibus. Entre as apreensões estão 86 relógios, 40 bolsas, 20 carteiras, um mostruário de jóias e diversos cartões de crédito. Segundo a Secretaria de Segurança, a polícia registrou apenas cinco ocorrências onde drogas foram apreendidas e todas em quantidade pequena. A maior parte do material encontrado pela polícia se refere a assaltos a carros nos sinaleiros próximos à favela. Esta é uma das principais reclamações da população em relação ao local.
Com o fim da operação policial a Prefeitura de Curitiba vai levar à Vila das Torres projetos sociais, como o mercadão popular, e os trabalhos de 15 secretarias. O prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), prometeu que a Secretaria de Obras vai desobstruir ruas e o rio Belém, que corta a favela, com o objetivo de urbanizar o local, e que também serão avaliados lotes para a construção de um posto policial. ''O resultado da operação foi positivo. É a primeira prova de que a integração entre os governos é importante'', afirmou Beto.


