Curitiba - O impasse entre governo e professores da rede estadual de ensino está, por ora, resolvido. Depois dos protestos em frente ao Palácio Iguaçu na última terça-feira e de uma rodada de negociações que durou mais de duas horas na manhã de ontem, os docentes decidiram acatar as propostas apresentadas pelo governo. Um novo encontro ficou marcado para o dia 13 de maio, quando o governo deverá apresentar um balanço do desempenho da arrecadação no primeiro quadrimestre. Com base nesses números, o Estado se compromete a estudar a reposição salarial que poderá ser repassada ao magistério.
A nova conversa servirá, também, para discutir a possibilidade de realização de concurso público para reestruturar o quadro do magistério estadual. O governo também concordou, ontem, em anistiar as faltas dos professores que deixaram de trabalhar para participar da manifestação anteontem em Curitiba, com o compromisso de reposição de reposição das aulas.
Com o acordo firmado com o governo, os cerca de 70 professores que, segundo a APP-Sindicato, passaram a noite acampados em frente à Assembléia Legislativa, deixaram o local. Participaram da reunião o secretário de Estado da Administração, Ricardo Smijtink, o secretário de Governo, José Cid Campêlo Filho, o chefe da Casa Civil, Guaracy Andrade, e representantes dos professores indicados pela APP.
O presidente da APP-Sindicato, Romeu Gomes de Miranda, mostrou-se satisfeito com o resultado da reunião. No entanto, o sindicalista avisa que novas manifestações deverão acontecer, caso o governo não cumpra com o acordo. Segundo ele, uma assembléia dos professores está previamente agendada para o dia 18 de maio para uma avaliação das negociações.
Smijtink voltou a afirmar que a análise do fechamento do quadrimestre é necessária para avaliar se a receita corrente líquida do Estado mantém os mesmos patamares de crescimento para absorver as despesas de pessoal, sem ultrapassar os limites fixados pela Lei de Responsabilidade Fiscal. No primeiro trimestre deste ano, o aumento da arrecadação do ICMS (um dos componentes da receita corrente) foi de 15,8%, em relação ao mesmo período do ano passado. A projeção é de que o ICMS feche 2002 com crescimento de 12,5%.
O secretário lembrou que com esse resultado o governo já pôde conceder abonos salariais para outras categorias e estruturar uma proposta de cargos e salários para os servidores do quadro geral, que será encaminhada no início de maio para a Assembléia.

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