O governo do Estado está processando criminalmente três servidores estaduais que lacraram, em junho do ano passado, as portas do prédio da Comissão do Vestibular Unificado (CVU) durante a greve da Universidade Estadual de Maringá (UEM). O lacre foi decidido em assembléia dos servidores para impedir que as provas do vestibular de inverno da UEM fossem elaboradas até um acordo entre o movimento grevista e o governo do Estado.
O processo é contra o vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino de Maringá (Sinteemar), João Pamphile (que na época da greve era presidente do sindicato), Paulo Matias, professor da UEM e também contra Edmilson Modesto de Camargo, funcionário da Penitenciária Estadual de Maringá (PEM) e estudante da UEM.
De acordo com o presidente do Sinteemar, Almir Carvalho, o governo estadual está indiciando criminalmente os servidores por violação do patrimônio público. A principal acusação é que os grevistas usaram solda para lacrar as portas. Pamphile está sendo indiciado porque na época era o presidente do Sinteemar. Já o professor Paulo Matias e o estudante Edmilson Modesto de Camargo estão sendo indiciados por terem participado diretamente do lacre.
O Sinteemar pretende recorrer judicialmente e politicamente contra a iniciativa do governo. No próximo dia 20, está prevista uma audiência para interrogatório dos três servidores. O local ainda não foi definido, mas Carvalho adiantou ontem que a categoria vai realizar uma manifestação em frente ao prédio onde será realizada a audiência. Conforme Carvalho, é a primeira vez na história da UEM que o governo entra com ação contra os servidores que participaram de greve. Segundo ele, a postura do governo é antidemocrática e visa intimidar os servidores que começaram ontem a discutir a negociação salarial. A greve na UEM, no ano passado, foi deflagrada em 31 de maio e as atividades só voltaram ao normal no dia 14 de julho.

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