A sensação de abandono e tédio das duas presas de Londrina retrata a dificuldade que também enfrentam outros estados com suas detentas. Grande parte delas está em delegacias e distritos, cuja estrutura é inadequada. Das vagas destinadas ao sistema penitenciário, um pequeno índice é destinado a elas - 6,6%. Para piorar, estimativas do Ministério da Justiça apontam que a população carcerária feminina passou de 10.112 (em 2000) para 35.596 (em 2011) no Brasil.
De acordo com dados da secretaria de estado da Justiça (Seju), em todo o Paraná existem 26 unidades prisionais, incluindo os patronatos. São aproximadamente 14,5 mil vagas, mas apenas 506 são destinadas às mulheres (3,5%): 376 na Penitenciária Feminina do Paraná (regime fechado) e 130 no Centro de Regime Semiaberto Feminino de Curitiba (Craf). Hoje, o estado possui cerca de 14,4 mil presos sob custódia da Seju. Destes, 564 mulheres; 80% presas por tráfico de drogas.
O grande problema é que, além do montante da Seju, por falta de vagas no Estado existem outros 13.117 presos sob responsabilidade da secretaria de Segurança Pública (Sesp). Desse total, 1.284 são mulheres, distribuídas em vários distritos do estado. Em Londrina, as duas unidades que abrigam mulheres são os 3º e 4º DP. Com capacidade para 36 e 48 pessoas, respectivamente, têm 88 e 48 mulheres, entre condenadas e provisórias.
Por isso, o início do Programa Nacional ao Sistema Prisional do Ministério da Justiça (MJ), anunciado no final do ano passado, é aguardado ansiosamente por diversos estados. Uma das metas principais do programa é reduzir o número de presos em delegacias e zerar o deficit de vagas femininas. Este último é considerado um grave problema a ser enfrentado, visto que as mulheres têm demandas diferenciadas, como período de gestação e amamentação.
Como parte do programa, o governo federal pretende investir mais de R$ 130 milhões no Paraná para a ampliação de oito unidades penais e na construção de outras seis, com 540 vagas cada. Entre elas, a tão aguardada Penitenciária Feminina de Londrina. A contrapartida do Estado será de pouco mais de R$ 30 milhões. De acordo com a Seju, a obra ainda será licitada. ''A previsão é de que fique pronta até o final dessa gestão, ou seja, nos próximos três anos'', informou a assessoria de imprensa.
Além da nova unidade em Londrina, a Penitenciária de Piraquara deve ganhar mais 600 vagas. Dessa forma, as 1.284 mulheres que estão em delegacias em todo o estado seriam totalmente transferidas para essas unidades, zerando assim, o déficit atual. (M.T.)

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