Governo presta informação em Brasília
A briga de informações entre sem-terra e o governo estadual ganha hoje mais um desdobramento, com a ida do secretário estadual de Segurança, Cândido Martins de Oliveira, a Brasília. O secretário participa da reunião da Comissão Defesa da Pessoa Humana, do Ministério da Justiça, onde vai apresentar a versão oficial sobre o assunto. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) pretende levar material para contestar a versão da secretaria.
O resultado dessa reunião pode antecipar ou suspender a vinda dos ministros (Renan Calheiros, da Justiça, e Raul Jungmann, da Política Fundiária), para acompanhar o conflito de terra no Paraná. A assessoria de imprensa do Ministério da Justiça considera que as explicações podem ser suficientes para esclarecer o assunto. Uma possível vinda dos ministros depende de agenda, que deve ser acertada apenas na próxima semana, já que Jungmann estará quarta e quinta-feira em Pontal do Paranapanema, São Paulo.
Cândido Oliveira pretende levar fitas de vídeos e laudos médicos, que, segundo o secretário, demonstrariam que não houve violência policial nas 14 desocupações. O advogado da CPT, Darci Frigo, que estará na reunião, deve também apresentar outros laudos médicos contestando os do governo.
Para comprovar que a desocupação teria sido pacífica, o governo estadual vai apresentar ao presidente da comissão, o secretário dos Direitos Humanos, José Gregori, material de vídeo, gravado pelos próprios policiais, durante a retirada dos sem-terra. Nele, haveria cenas demonstrando depredação das fazendas, que de acordo com a secretaria estadual, foram praticadas pelos sem-terra. Para o advogado da CPT, é preciso verificar se as imagens não estão editadas. Houve terrorismo e agressão aos sem-terra, que não devem estar nas fitas, mas podem ser confirmadas em testemunhos, afirma.
Porém, o governo estadual quer mostrar, por meio de laudos médicos, que os invasores não tinham lesões corporais. Temos laudos que provam contrário, feitos nas mesmas pessoas que o governo coagiu para que afirmassem que tudo foi pacífico, afirma Frigo.





