Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
Após nove meses de paralisação das obras, por falta de pagamento do governo do Estado, o Exército está reiniciando a construção do Canal da Barragem, em Foz do Iguaçu. Com seis quilômetros de extensão, a obra liga o Lago de Itaipu ao Rio Paraná, no trecho abaixo da hidrelétrica. Será um dos maiores canais fluviais do mundo e terá dois objetivos: permitir a piracema (subida dos peixes para as nascentes dos rios na época da reprodução) e servir de local para a prática de esportes náuticos radicais.
Segundo a Folha apurou, o Estado pagou os cerca de R$ 1,7 milhão que devia ao Exército e agora promete repassar parcelas mensais de R$ 500 mil para o andamento das obras. O custo total para a conclusão é de R$ 11 milhões.
A obra está sendo tocada pelo 10º Batalhão de Engenharia de Construções, sediado em Lages (SC). A unidade foi responsável pela construção da Ferroeste, entre Guarapuava e Cascavel. Se não houver novas interrupções, a previsão é de que o canal esteja concluído em 14 meses.
Segundo o capitão de reserva Nércio Hoff, responsável técnico pela obra, a paralisação não comprometeu a continuidade do trabalho. Desde o último dia 9, 50 homens – 30 civis e 20 militares – e dez máquinas trabalham no local.
A construção do Canal da Barragem começou em abril de 97, por uma empreiteira. O governo queria concluí-lo em setembro daquele ano, para que ele fosse utilizado nos Jogos Mundiais da Natureza. Em dezembro, a obra foi abandonada pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), sob a alegação de que os projetos originais, feitos por uma empresa de consultoria espanhola, não atendiam às exigências técnicas da Itaipu Binacional, que cedeu o terreno para a construção do canal.
Os projetos foram refeitos antes da retomada da obra, pelo Exército, ocorrida em julho do ano passado, com previsão de entrega em dezembro. A nova paralisação se deu em novembro, desta vez por falta de pagamento.
A Assessoria de Imprensa da Itaipu informou ontem que a binacional não considera a obra reiniciada, porque ainda falta a aprovação do último projeto, de cálculo hidráulico. Procurado pela Folha, o engenheiro Eduardo Quizada, coordenador de Obras da Sema, não foi encontrado.

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