A reunião entre o comando de greve das universidades estaduais e o chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, ontem, que deveria representar um avanço nas negociações, acabou levando por água abaixo a única expectativa de resolver o impasse entre governo e professores. Diferente do que havia prometido o secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahrhaftig, em documento entregue aos sindicatos que representam a categoria no início do mês, Guerra disse que o governo não tem condições de indicar índice de reajuste em dezembro.
''O governo mantém a posição de só conversar e não apresentar propostas concretas'', afirmou o professor da Unioeste, Luiz Fernando Reis. Com essa atitude, avaliou, a greve, que já dura 65 dias, tende a se prolongar ainda mais. ''Não vemos motivo para retornar às nossas atividades'', concluiu. O comando unificado de greve das universidades estaduais, segundo Reis, ficou de se reunir na próxima sexta-feira para avaliar a situação do movimento e discutir os encaminhamentos futuros.
Do encontro ficou definida apenas a constituição de uma comissão envolvendo representantes das secretarias de Estado da Fazenda, de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e da Administração e das instituições de ensino superior estaduais. Segundo a assessoria de imprensa do governo, o grupo deverá estudar e propor alternativas de reajuste para 2002, levando em conta a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
Ainda de acordo com a assessoria, a folha de pagamento do funcionalismo do Poder Executivo já está quase no limite 47,9% da arrecadação. O governo depende da capitalização do Paraná Previdência para desonerar o orçamento. ''Existe impedimento técnico para atender as reivindicações dos servidores do ensino superior. Mas não é impossível uma solução negociada, que envolva a participação e adesão de todos os partidos políticos na Assembléia Legislativa'', afirmou Guerra.

mockup