Governo não paga e Exército pára obra
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sexta-feira, 09 de outubro de 1998
Valmir Denardin 
Uma semana após a reeleição do governador Jaime Lerner (PFL), o Exército vai abandonar as obras de construção do Canal da Barragem - o maior canal artificial do mundo -, que deveria ligar o Lago de Itaipu ao Rio Paraná, no trecho abaixo da barragem da hidrelétrica, em Foz do Iguaçu. O motivo é a falta de pagamento de quase 60% do valor estabelecido em contrato entre o governo do Paraná e o Exército.
Segundo o coronel Zauri Tiaraju, comandante do 1º Batalhão Ferroviário, sediado em Lajes (SC) - responsável pelas obras -, desde a entrada do Exército no projeto, em 23 de junho, até agora, o governo repassou apenas R$ 1,3 milhão. Esse valor representa 43% dos R$ 3 milhões que deveriam ter sido pagos até o dia 10 de agosto, na primeira etapa do contrato.
Ontem, o general Mário Ivan Araújo Bezerra, chefe do Departamento de Engenharia e Construção do Ministério do Exército, sediado em Brasília, visitou as obras em Foz do Iguaçu. Segundo a Folha apurou, se o governo não pagar nos próximos dias, a decisão é retirar, na semana que vem, os homens e máquinas que continuam no local.
Publicamente, o general assumiu uma posição mais conciliadora. Em entrevista, ele negou que a decisão do ministério seja pela paralisação. Quem trabalha com obras sabe que elas nunca correm de maneira contínua, afirmou. Mas advertiu: Se não vier mais nenhum dinheiro, não há como continuar. O Exército não financia obras, só executa.
Bezerra também demonstrou ter esperança de que a questão seja solucionada com a reeleição de Lerner. Imagino que isso vai ser acertado e o ritmo será retomado, declarou. Segundo o coronel Tiaraju, a decisão só não foi tomada antes da eleição no Paraná para evitar o uso político do caso. O governo é nosso parceiro na obra, disse.
Em decorrência do atraso no repasse dos recursos, o Exército já reduziu em cerca de 80% o ritmo dos trabalhos. Parte das 20 máquinas utilizadas na obra já foram retiradas e o número de homens no local de 120 para 60.
O contrato entre governo estadual e Exército foi assinado em abril, com previsão de conclusão da obra em dezembro. Mesmo que os pagamentos sejam normalizados, o Exército já descarta concluir o canal nesse prazo.
No total, o governo deveria pagar R$ 8 milhões, conforme informou à Folha, na época, o diretor de Obras da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), Eduardo Quizada. Ontem, Quizada não foi localizado pela Folha.
A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Meio Ambiente informou que o secretário, Hitoshi Nakamura, desconhecia o atraso no pagamento das parcelas ao Exército. De acordo com a assessoria, o secretário irá se informar sobre o assunto e deverá se pronunciar na próxima semana.


