Governo limita eleição nas escolas
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terça-feira, 19 de junho de 2001
Israel ReinsteinDe Curitiba 
As novas regras para eleger diretores dos colégios estaduais limitam o poder de escolha da comunidade escolar e conferem ao governo maior autoridade no controle do processo seletivo. Divulgadas ontem pela secretária de Educação, Alcyone Saliba, as novas regras reduzem o poder de escolha interna de alunos e funcionários e aumentam a possibilidade do Estado em selecionar os candidatos ao cargo.
Pelas novas regras, as eleições não vão acontecer em todas as escolas do Estado. No novo modelo, ficam de fora as escolas com menos de 160 alunos, unidades em processo de municipalização, colégios agrícolas e com cursos porfissionalizantes do setor industrial, além de entidades ligadas às paróquias. Também está cancelada a escolha no Colégio Estadual do Paraná, em Curitiba, onde o governador vai nomear um diretor biônico. Das 2.140 escolas, apenas 1,5 mil vão poder escolher o diretor.
No entanto, essa escolha tem restrições. A primeira delas é a presença do Núcleo Regional de Educação entre os eleitores de cada escola. Antes, os votos eram restritos aos alunos ou seus pais, professores e funcionários. Agora, o núcleo ganha peso de 20% dos votos apurados, sendo que os pais e alunos votantes (com mais de 16 anos) ganham peso de 50% e os profissionais da educação 30%).
Para a Associação dos Professores do Paraná (APP-Sindicato), foram criados filtros para impedir a presença de candidatos contrários ao governo estadual. A entidade planeja uma manifestação para hoje de manhã na Assembléia Legislativa. Às 14 horas, os deputados votam outro projeto de lei sobre eleição de diretores. Todos sabem que os núcleos sofrem influência política, denunciou o presidente da APP, Romeu Miranda.
Outra medida é a seleção dos candidatos. Uma prova vai avaliar o conhecimento pedagógico e administrativo deles. Também será feito um levantamento da idoniedade pessoal e profissional dos concorrentes. As duas avaliações serão realizadas feitas por técnicos dos núcleos regionais, membros de Associações de Pais e Mestres (APMs) e profissionais do Conselho Escolar.
A secretária Alcyone Saliba considera que o candidato precisa ter boas qualidades de gerência e pedagógica, além de ser um líder reconhecido da comunidade escolar. Ele é um representante direto da secretária dentro da escola, afirmou Saliba. O presidente da APP disse que é um absurdo fazer provas para o candidato.
Pelo cronograma do governo, as inscrições para seleção de diretores começa no dia 2 de julho e encerram no fim desse mês. Em agosto acontece o teste de seleção e, em setembro, será feita a votação. Antes de começar esse processo, a APP pretende interromper a escolha com a aprovação do projeto de lei que regulamenta a votação.


