Governo libera recursos para servidores
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quarta-feira, 31 de outubro de 2001
Katia Michelle<br>De Curitiba 
O governo do Estado liberou ontem recursos para o pagamento dos servidores técnico-administrativos estaduais, em greve há quase 100 dias. O secretário de Ensino, Ciência e Tecnologia, Ramiro Wahrhaftig espera que a medida acabe com a paralisação dos professores e funcionários e ameaça responsabilisar judicialmente os sindicatos caso isto não ocorra. ''A greve atinge os serviços essenciais à população, como saúde e educação'', complementou.
A decisão não está relacionado ao governo federal e se refere ao pagamento integral do mês de outubro, sem descontos para professores e funcionários em greve. Pela manhã, o governo já havia liberado cerca de 30% do salário. Depois de reuniões com as secretarias de Maringá, Cascavel e Londrina decidiu liberar o restante.
''Entendemos o momento do governo, mas sabemos que os funcionários dependem do salário e que a população depende dos serviços prestados por eles'', amenizou o secretário. A data do pagamento ainda não foi definida, mas o crédito deve ser feito até segunda-feira. O secretário garante que a decisão do governo nada tem a ver com pressões judiciais.
A Coordenadoria de Recursos Humanos da Universidade Estadual de Londrina (CRH) está providenciando uma nova folha de pagamento com o salário integral. A folha de pagamento da UEL havia sido emitida com apenas 28% do salário de outubro pela manutenção dos serviços essenciais (hospital e rádio, entre outros). Para isso, a reitoria recebeu R$ 2,5 milhões do governo.
Ontem, o comando local distribuiu 400 cestas básicas para os funcionários mais carentes. Foram priorizados 297 pessoas que recebem até dois salários mínimos, mas a intenção era beneficiar 1,5 mil que recebem três salários mínimos.
Segundo a professora Silvia Colmán, do Fundo de Greve, os alimentos foram doados pelas paróquias, Provopar, professores da UEL, sindicatos, comunidade e pelo Londrina Esporte Clube que cedeu R$ 1,00 de cada ingresso vendido no jogo do último domingo. A entrega das cestas aconteceu no pátio do Hospital Universitário e no acampamento em frente à reitoria, a partir das 16 horas.
Por causa do corte no pagamento, a família do professor Edmilson Lenardão está passando por sérias dificuldades financeiras. O telefone foi cortado, o pagamento das contas de água e luz está atrasado há praticamente dois meses, o carro que eles usam é emprestado e a roupa dos filhos é comprada pelo avô. ''Tudo isso começou com a partir da defasagem do nosso salário. Quando eu estudava tinha a perspectiva de ter um padrão de vida razoável para sustentar meus quatro filhos. Hoje, só conseguimos acessar a Internet na universidade ou através de promoções dos provedores'', desabafou Lenardão.
Segundo Elza, 50% dos professores da UEL estão endividados com bancos. Para evitar que a crise da universidade crie outros problemas sociais, o comando de greve pediu ao prefeito Nedson Micheleti (PT) que perdoe a cobrança de multas e juros de impostos e serviços públicos. (Colaborou Betânia Rodrigues, de Londrina)


