A maior série de geadas dos últimos 25 anos está forçando as autoridades a tomar medidas extras para enfrentar o período crítico de queda de umidade e proteger áreas agrícolas de incêndios.
Quinta-feira, o governador Jaime Lerner (PFL) fará um apelo aos paranaenses para que ajudem na prevenção deste tipo de desastre ambiental. O pronunciamento que lança o Plano Estadual de Combate e Prevenção de Incêndio será transmitido em rede estadual de rádio e TV.
Será montada uma verdadeira operação de guerra para evitar os trágicos números do ano passado: 5.998 incêndios e queimadas irregulares que consumiram 117.408 hectares. Foi preparado um miniexército de pára-bombeiros, deslocados dois helicópteros exclusivos e arregimentada uma frota de aviões agrícolas que ficará de prontidão. Ontem, a Folha apurou que 100 aeronaves de pulverização agrícola já poderiam operar em caso de emergência em todo o Estado.
Além do Instituto Ambiental Paraná (IAP) e do Corpo de Bombeiros, este ano guardas florestais estaduais e federais, policiais rodoviários estaduais e federais, funcionários do Ibama, do Simepar, da Emater e da Secretaria Estadual da Agricultura participaram de treinamentos do programa.
Cerca de 350 pessoas ligadas a estes órgãos fizeram um curso de 32 horas. Eles tiveram oito horas de aulas sobre a operação e o conteúdo de uma homepage do Simepar, que pela primeira vez disponibilizará boletins periódicos com informações regionalizadas sobre as condições climáticas que influenciam a incidência dos acidentes. O intercâmbio via Internet será feito até outubro.
Segundo o coordenador do Programa de Prevenção e Combate a Incêndio do IAP, Jackson Luiz Vosgerau, este ano ainda não foi registrado nenhum incêndio grave, embora na primeira quinzena de julho, a combinação de geadas forte e clima seco tivesse deixado o governo em alerta. ‘‘Depois disso choveu com certa regularidade e os riscos diminuíram’’, disse Vosgerau. De acordo com o Simepar, a partir da próxima terça-feira a umidade deve cair gradativamente e a baixa umidade relativa do ar e os ventos fortes passarão a dominar o clima.
No Oeste, a aproximação do período crítico motiva alerta geral nos municípios banhados pelo Lago de Itaipu, que contam com ampla vegetação e que se constitui em refúgio biológico. A Itaipu Binacional preserva 106 mil hectares de matas (que representa praticamente a metade da extensão do Parque Nacional do Iguaçu). Os moradores estão sendo alertados para a necessidade da vigilância contra queimadas e o combate aos focos de incêndio que surgirem.
No ano passado, na região de Guaíra, o fogo destruiu a maior parte do complexo ecológico formado em torno da Ilha Grande, e também houve vários focos no Parque Nacional do Iguaçu. Apenas na microrregião de Cascavel, foram registrados 330 incêndios. Em Toledo, em julho, foram registrados 36 incêndios urbanos. Neste mês, a média tem sido de dois casos por dia. Em 1999, mil hectares de áreas rurais foram destruídos no Oeste. (Colaborou Paulo Pegoraro, de Cascavel)

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