Governo fica
entre a reforma
e a propriedade
Para o assessor Especial de Assuntos Fundiários do governo, Antônio Carlos Coelho, o Paraná fica numa situação delicada entre as reivindicações do MST e o direito à propriedade dos fazendeiros. ‘‘Nós temos que cumprir as ordens judiciais de desocupação, mas também queremos fazer a reforma agrária e não podemos permitir a ação de pistoleiros contratados’’, diz.
Ele acredita que os sem-terra sentem-se superiores à lei porque acham que têm uma dívida a cobrar e, por serem credores sociais, teriam direito de ultrapassar os limites da lei.
Coelho divide o movimento entre os que realmente querem reforma agrária e os que têm apenas interesse político. Ele conta que, durante o acampamento no Centro Cívico, o governo buscou negociação e sempre que o Incra conseguia terras para assentamento, estas acabavam invadidas. ‘‘Ficou claro que existia uma ação dentro do MST para inviabilizar esses assentamentos.’’