Governo Federal não deve demitir
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de novembro de 1998
Guilherme Vieira 
O governo federal não deve demitir servidores públicos, apesar dos cortes no Orçamento de 1999 e do pacote de ajuste fiscal. Segundo o chefe de gabinete do ministério da Administração e Reforma do Estado (Mare), José Vasquez Filho, a administração federal vem adotando outras práticas para a contenção de despesas, devendo inclusive manter o ritmo de contratações.
A operação pente fino realizada pelo governo federal entre 1996 e 1998 economizou cerca de US$ 1,2 bilhões em benefícios e salários pagos aos servidores públicos, disse. Os gastos realizados anualmente com a folha de pagamento da administração federal é de R$ 42 bilhões/ano.
Vasquez esteve ontem, em Curitiba, para a abertura O fórum reuniu integrantes da equipe de administração de diversos municípios brasileiros com interesse em conhecer os projetos desenvolvidos pela prefeitura da capital paranaense. Segundo ele, que desde 1994 o governo reduziu em 60 mil o número de servidores, passando de 580 mil funcionários para cerca de 520 mil hoje. Vazques aproveitou para criticar o valor das aposentadorias dos servidores públicos, que superam em muito o que é pago aos profissionais da iniciativa privada. Enquanto no setor privado um funcionário se aposenta com 1,8 salário mínimo, os servidores públicos civis se aposentam com 13,7 salários minimos de média, os do legislativo deixam a ativa com 32,6 salários e do judiciário conseguem receber uma média de 34 salário mínimos ao se aposentar.
Fórum - José Vasquez Filho foi o autor da palestra de abertura no Fórum sobre Gestão de Cidades - Como se Governa Curitiba, que apresentou o estilo de gerenciamento urbano e administrativo desenvolvido na capital paranaense. O presidente do Instituto Municipal de Administração Pública, Carlos Homero Giacomini, disse que o grande diferencial da administração da capital paranaense é o investimento realizado sobre a capacitação e desenvolvimento dos servidores municipais. Estamos partindo para a profissionalização cada vez maior do servidor, desenvolvendo o capital intelectual na adminstração pública, que até pouco tempo era exclusividade das empresas privadas.
Giacomini lembrou que bons salários, com uma carreira bem definida, mais ligada à organização e menos à execução, traz como consequência um quadro de funcionários mais enxuto e eficiente. A terceirização, as parcerias com organizações não-governamentais e os contratos de gestão garantiriam a presença de trabalhadores menos especializados na gestão pública.
O evente segue hoje, com apresentação das palestras Cidade Estratégica com o prefeito Cassio Taniguchi, A Gestão Compartilhada na Política Social, com a presidente da Fundação de Ação Social (FAS), Marina Taniguchi. Os participntes podem também visitar uma exposição sobre os principais projetos desenvolvidos em Curitiba, como o Linhão do Emprego.


