O Ministério dos Transportes vai elaborar, em parceria com governos estaduais e prefeituras, um programa de melhoramento de pontos críticos e construção de contornos ferroviários em todo o País. O anúncio desse programa será feito hoje, em São Paulo, pelo ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, no encerramento do seminário Negócios nos Trilhos, que reúne as 11 concessionárias do sistema ferroviário e as 70 indústrias brasileiras de material para este setor.
Segundo o secretário de Transportes Terrestres do ministério, Luís Henrique Teixeira Baldez, há cerca de 200 pontos críticos em ferrovias do País. Ainda embrionário, o programa não tem ainda prioridades definidas, prazos de execução e nem levantamento de custos. A Folha apurou que, no Paraná, pelo menos duas cidades serão beneficiadas – Curitiba, provavelmente com um contorno ferroviário, e Maringá, com a ampliação do túnel que corta o centro da cidade.
Na Região Metropolitana de Curitiba, há cerca de 20 quilômetros de linhas ferroviárias. Os principais problemas são os atropelamentos de pedestres e os choques entre trens e veículos. Além disso, moradores de bairros cortados pela via reclamam do barulho. Eles organizaram movimentos, que levaram à interrupção do transporte entre a 0 hora e as 6 horas.
O sistema ferroviário brasileiro foi passado à iniciativa privada, por meio de concessão, a partir de 1996. No Paraná, dois consórcios assumiram as linhas: América Latina Logística (ALL), nos trechos pertencentes à Rede Ferroviária Federal, e Ferropar, que assumiu os cerca de 400 quilômetros da Ferroeste, pertencente ao governo do Estado. Nos trechos da ALL já ocorreram dez acidentes neste ano.
Baldez informou que a secretaria exigiu da empresa um plano de recuperação dos danos ambientais causados por esses acidentes e a melhoria da segurança das ferrovias que cortam o Estado. ‘‘No caso da Serra do Mar (o descarrilamento de um trem com 30 vagões, em setembro, em Morretes, com a contaminação de um rio pelo combustível vazado), ficou provado falha nos freios’’, afirmou o secretário.
Luiz Henrique Hungria, especialista em tecnologia de equipamentos da ALL, disse que a concessionária está fazendo um mapeamento das linhas em que ocorreram acidentes e elaborando um plano de investimentos para corrigir os problemas. Ele enfatizou também que o número de acidentes no Estado ficaram abaixo do limite tolerado pelo ministério.
O repórter Valmir Denardin viajou a São Paulo a convite dos organizadores do evento

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