Governo Federal descarta concluir obras do Flores do Campo
União vê retomada do projeto como inviável e deverá ‘compensar’ município com a construção do mesmo número de moradias
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terça-feira, 17 de dezembro de 2024
União vê retomada do projeto como inviável e deverá ‘compensar’ município com a construção do mesmo número de moradias
Pedro Marconi 

Antes uma opção à mesa, a conclusão das obras do Flores do Campo, na zona norte de Londrina, foi descartada pelo Governo Federal. A informação foi confirmada pelo secretário nacional de Habitação, Augusto Henrique Alves Rabelo. A pasta é vinculada ao Ministério das Cidades. “O contrato vai ter um acordo com a prefeitura. Terá outra destinação. A retomada da obra é inviável”, sentenciou. O local está ocupado há oito anos.
O representante da União esteve na cidade nesta semana para a entrega do Alegro Village, no Jamile Dequech, região sul. A ideia do governo é construir o mesmo número de imóveis no município como compensação pela “perda” do residencial. "Uma determinação do presidente Lula e do ministro (das Cidades) Jader (Filho) é que esses empreendimentos antigos, como o Flores do Campo, sejam devolvidos ao município, ou seja, as 1.218 unidades do Flores do Campo serão devolvidas”, explicou.
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Entretanto, a possibilidade desta proposta se tornar realidade depende do registro de projetos junto ao ministério que cuida da habitação no País. “A população de Londrina vai ter essas unidades. Não necessariamente naquele local, mas onde a prefeitura, Cohab (Companhia de Habitação de Londrina) ou Cohapar (Companhia de Habitação do Paraná) inscreverem os projetos”, pontuou.
O Flores do Campo começou a ser edificado em 2013, com projeção de investimento de R$ 83 milhões, por meio do programa Minha Casa, Minha Vida. No entanto, a obra – que deveria ter ficado pronta em 2015 – foi paralisada pela falta de repasses para a empreiteira responsável, que depois declarou falência. Com a construção parada com apenas 46% de execução iniciou o processo de ocupação, que perdura até hoje.
O poder público londrinense estima que aproximadamente 600 famílias vivam no lugar, que tem imóveis inacabados, não conta com asfalto e nem rede de esgoto e energia elétrica regularizados, além de condições de moradia precárias. Em 2017 foi montada uma operação de reintegração de posse da área, porém, a iniciativa foi cancelada por determinação da Justiça Federal, atendendo um pedido da Defensoria Pública da União. Na época, o residencial tinha 400 famílias.
‘NINGUÉM DESASSISTIDO’
Segundo o presidente da Cohab, Edimilson Salles, a ideia seria transferir as famílias que hoje estão no Flores do Campo para outras unidades para depois dar uma destinação para o residencial inacabado. “Não vai ter ninguém que ficará ‘jogado na rua’ ou desassistido. São tratativas (do Flores do Campo) que têm sido acompanhadas pelo Ministério Público Federal, Justiça Federal”, destacou. “(Quando tiver uma decisão encaminhada) vai ter que ter uma audiência para bater o martelo sobre essas famílias”, acrescentou.
Outra situação que carece de debate é a presença de estrangeiros no residencial. “A Cohab vem se preparando para receber unidades. Fomos beneficiados esse ano com mil e agora tivemos a notícias de mais mil, que seria para acomodar, preferencialmente, quem tivesse direito no Flores do Campo. Temos uma questão que têm muitos estrangeiros lá e temos conversado com o Ministério Público sobre como tratar este tema”, pontuou.


