Governo fecha acesso à Ilha do Mel
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terça-feira, 11 de fevereiro de 1997
Sucursal de Curitiba 
Arquivo FolhaMedida polêmicaControle de embarque foi criado no verão de 96: filas e reclamaçõesO acesso à Ilha do Mel ficou fechado por algum tempo durante os feriados de Carnaval, por determinação da Secretaria Estadual do Meio Ambiente. A medida foi adotada no domingo, depois que o cadastro da secretaria apontou estouro no limite de cinco mil turistas na ilha, fixado no verão passado. Houve protesto de comerciantes e barqueiros, que não aprovam a limitação do número de turistas e acusam a secretaria de errar no controle.
Esta foi a primeira vez que o governo suspendeu a entrada de turistas na Ilha do Mel, desde que, no final de 1995, o secretário Hitoshi Nakamura baixou uma resolução limitando em cinco mil o número de pessoas no local. A secretaria argumenta que a ilha é uma unidade de conservação e patrimônio ecológico do Estado e precisa, portanto, ser preservada.
O número máximo de turistas foi fixado, segundo o Instituto Ambiental do Paraná, com base na infra-estrutura da ilha: número de vagas em hotéis, pensões e campings, capacidade do sistema de energia elétrica e condições de saneamento e segurança.
O controle é feito no terminal de embarque em Pontal do Paraná, onde os turistas preenchem um cadastro. Cerca de 100 pessoas aguardavam autorização para entrar na Ilha do Mel quando a ocupação atingiu o limite. Muitos aguardaram os barcos que traziam turistas de volta para poder entrar.
Segundo o coordenador local da operação Eco-Verão 97, Jefferson Luiz Hoffmann, no final de semana de Carnaval o número de turistas na ilha ultrapassou pela primeira vez o limite de cinco mil. Suspendemos a entrada por cerca de uma hora, até que o retorno de turistas permitiu reabrir o embarque, afirmou.
O próprio secretário do Meio Ambiente esteve no local no domingo e enfrentou um protesto de comerciantes e barqueiros que fazem a travessia. O controle é malfeito e não havia mais de três mil pessoas na ilha, disse Ildefonso da Silva Pereira, dono de uma lanchonete no terminal de embarque para a ilha. Segundo ele, foi o Carnaval mais fraco dos últimos anos. Esperamos o ano inteiro para ganhar um pouco de dinheiro no Carnaval e a secretaria nos prejudica com uma medida absurda, protestou.
Segundo ele, o acesso à ilha foi retomado no domingo porque os funcionários da secretaria reviram o cadastro e constataram um erro de mais de mil pessoas. Os barqueiros ameaçaram não transportar de volta os turistas que estavam na ilha e a secretaria recuou, afirmou.
Hoffmann desmente essa versão e diz que a entrada na ilha só foi retomada porque muitos turistas retornaram, abrindo novas vagas. Segundo ele, o controle será mantido. Sem isso, em dois ou três anos a ilha estará totalmente degradada, afirmou.


