Governo estimula denúncias para combater prostituição infantil
O governo estadual lançou ontem, em Curitiba, o Cadastro Geral de Entidades para Combater a Exploração Sexual Infanto-Juvenil. A iniciativa é uma resposta à Campanha de Combate da Exploração do Turismo Sexual Infantil, do governo federal.
O cadastro quer estimular as denúncias para conhecer a realidade do problema no Estado e criar programas de intervenção e punição para o crime, considerado hediondo. As pessoas não têm coragem de denunciar. Por isso, deve existir uma campanha, disse o secretário da Justiça e Cidadania do Paraná, Eduardo Rocha Virmond. Vamos esperar os resultados para ver como enfrentar e prevenir o problema. É possível que a incidência seja maior do que supomos.
Hoje, o Paraná não tem estatísticas sobre prostituição, mas sabe que os locais de maior ocorrência são Foz do Iguaçu, Paranaguá e os grandes centros. Em Curitiba, 95 meninas, de oito a 18 anos, foram atendidas no ano passado pela Secretaria Municipal da Criança. Neste ano, já são 40. A maioria tem 15 anos e vem de municípios do Paraná e outros Estados, segundo a diretora do Departamento de Crianças e Adolescentes em Situação de Risco, Angela Mendonça.
A proteção feita pela Secretaria Municipal da Criança acontece nas unidades de abrigo e no SOS Criança. Para a prevenção, as principais ações são o programa da Rua para a Escola, o Projeto Piá e o Formando Cidadão.
A concentração da prostituição infanto-juvenil em Curitiba ocorre próximo à Vila Torres, Avenida Getúlio Vargas, Rua Riachuelo, Passeio Público e Terminal do Pinheirinho. Se existe a prostituição infantil é porque alguém se utiliza da menina. O atendimento à criança deve existir, mas o adulto também deve ser tratado e a pedofilia, amplamente discutida, disse Angela.
Em Curitiba, as denúncias podem ser encaminhadas ao SOS Criança ou à Delegacia da Ordem Social. Nos outros municípios, aos Conselhos Tutelares ou Municipais. O coordenador do Codic (Coordenadoria dos Direitos da Cidadania), da Secretaria da Justiça e da Cidadania, Wagner DAngelis, disse que as pessoas devem se sentir seguras ao fazer uma denúncia - não precisam ter medo de represálias.
Seis mil exemplares do cadastro geral serão distribuídos em todo o Paraná. Cada município mostrará à população as entidades que receberão as denúncias sobre prostituição.Mauro FrassonO cadastro relaciona entidades que combatem a exploração infantilAnna Camanducaia





