O Secretário de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, disse ontem que o governo do Estado não pretende cumprir, pelo menos nos próximos dias, as ordens de despejo e reintegração de posse das áreas invadidas em Querência do Norte (113 quilômetros de Paranavaí).
Na segunda-feira, cerca de 200 famílias acampadas em quatro fazendas do município rejeitaram a proposta do Incra e do governo do Estado de deixar as áreas invadidas. O prazo dado pelos ruralistas para o cumprimento das sentenças de reintegração de posse esgota-se dia 28.
Pelo programa estadual ‘‘Campos da Paz’’, as famílias sem-terra seriam transferidas provisoriamente para um acampamento na fazenda São Sebastião, em Santa Cruz do Monte Castelo. Há duas semanas, o governo do Estado havia ameaçado cumprir cerca de 12 ordens de reintegração de posse na região Noroeste.
Segundo Cândido Martins, o governo mantém a disposição de desocupar as áreas, mas pretende aguardar um levantamento do Incra sobre quais grupos estão se opondo à retirada pacífica. Um relatório preliminar sobre a situação teria sido apresentado ontem pela manhã pela superintendente do Incra, Maria de Oliveira.
O secretário afirmou que o governo não estipulou um prazo limite para a apresentação final dos relatórios. ‘‘Quando se trata de movimentos sociais não se pode ter pressa’’, diz. Ele acredita que a resistência dos sem-terra se deve a ‘‘grupos isolados’’. Segundo o secretário, algumas famílias já teriam concordado com a proposta.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) alegou que o governo pode esquecer dos acampados depois da desocupação. Líderes do MST, superintendente do Incra e o secretário de Segurança estavam reunidos, no final da tarde de ontem, discutindo a questão.

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